Futebol feminino, ocupação do espaço público e resistência na Aurora

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Foto: Larissa Brainer/Colaboração

Há um ano e nove meses, entre o skate park e o parque infantil da Rua da Aurora, no Centro do Recife, um grupo de mulheres se reúne nas noites de segunda-feira para se dedicar ao esporte que é paixão nacional: o futebol. Com quórum entre oito – nos dias menos movimentados – e até 30 jogadoras – em dias de pico – o Aurora F.C. já faz parte do cotidiano da área de lazer da rua eternizada pelo poeta Manuel Bandeira.

São jovens de áreas variadas da Região Metropolitana do Recife, com nível técnico boleiro igualmente diverso, que encontraram na pelada semanal um lugar de diversão, atividade física, amizade, inclusão e também de resistência.

“Nós provamos um ponto ocupando esse espaço: que mulheres podem jogar futebol e podem fazer isso em um espaço público e gratuito e à noite, mesmo quando a insegurança geral da cidade nos desestimula a estar na rua”, afirmou a advogada Andrielly Gutierrez, 24 anos.

A mobilização do Aurora F.C. acontece principalmente pelas redes sociais. Pelo Instagram @aurorafcrecife e pelo grupo de WhatsApp, é feita a convocação e a “chamada” é aberta nos primeiros horários da segunda-feira. Qualquer mulher pode participar. Basta aparecer na quadra.

Sem estresse

Foi assim que o casal Ana Luiza Meira, 25 anos, e Sabryna Vasconcelos, 23 anos, se somou e nunca mais deixou de ir. “Não passava pela minha cabeça que havia mulheres querendo jogar assim. Os grupos que eu conhecia tinham nível muito alto e eu ficava constrangida de entrar. Hoje, a semana começa mais animada porque sei que vamos nos encontrar para fazer o exercício que eu mais gosto, em um ambiente massa e de respeito a todas”, contou Sabryna.

“É para desestressar, conhecer gente nova, socializar com as amigas. Ninguém quer brigar, nem machucar ninguém”, explicou Ana Luiza.

Antes de se estabelecerem no local, sempre às segundas a partir das 18h30, o Aurora F.C. precisou superar dificuldades com grupos masculinos que reclamavam para si mais direitos ao uso do espaço. Houve episódios de discussões e embates entre as integrantes e homens que queriam sobrepor as suas partidas à das mulheres.

“Mas hoje o que temos aqui é um lugar confortável para todas as mulheres, com habilidade ou não no futebol, que queiram jogar bola de forma recreativa. Espaços assim são importantes para estimular o futebol feminino”, comentou Andrielly.

Larissa Brainer é jornalista, coordenadora de comunicação da ONG love.fútbol e ativista do futebol feminino e da representatividade da mulher nos espaços esportivos.



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