4 curiosidades que marcaram o ilustre passado do Parque Treze de Maio

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(Foto: Reprodução)

Um pulmão verde em meio ao concreto e asfalto do Centro do Recife. Este é o Parque Treze de Maio, o primeiro parque urbano da capital pernambucana.

Com 7 hectares de extensão, localizado entre os bairros da Boa Vista e Santo Amaro, apesar do nome, o parque foi inaugurado em agosto de 1939, e abriga diversas espécies da fauna e flora brasileiras, além de diversas esculturas e parquinho infantil.

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(Foto: Manuel Borges/Colaboração)

O Parque Treze de Maio fazia parte de uma região conhecida antigamente como Ilha do Rato e era envolvido por manguezais e terrenos alagados. Com tanto espaço sem utilização definida, o governo da época adaptou o local, que passou a se chamar Passeio Público Treze de Maio, para anos mais tarde se tornar um equipamento de lazer e convivência, testemunhando episódios que marcariam o cotidiano do recifense.

(Foto: Manuel Borges/Colaboração)

Congresso Eucarístico Nacional e o nascimento do Parque

Em 1940, o Recife foi o escolhido para sediar o Congresso Eucarístico Nacional e as autoridades da época não enxergavam lugar na cidade à altura de receber o evento, um dos mais importantes da igreja católica no mundo.

Congresso Eucarístico Nacional aconteceu um ano após a inauguração do parque (Foto: Diário da Manhã)

Por pressão de intelectuais, jornalistas e artistas, o governador da época, General Barbosa Lima, ordenou que melhorias fossem realizadas no então Jardim Treze de Maio, nascendo, assim, o Parque Treze de Maio, um ano antes do evento.

O curioso é que, desde a edição de 1940, no Parque Treze de Maio, o Congresso Eucarístico Nacional não acontece no Recife. A cidade voltará a receber o evento em 2020, 81 anos depois.

Torre de Londres, o tradicional restaurante de 1940

(Foto: Manuel Borges/Colaboração)

Com ares britânicos em pleno Centro do Recife, foi inaugurado na década de 1940 o tradicional restaurante O Torre de Londres, dentro do Parque Treze de Maio. O prédio possuía um formato de torre e sua cozinha era considerada uma das mais sofisticadas da região.

O Torre de Londres era um dos restaurantes mais sofisticados da época (Foto: Fundaj)

O Torre de Londres foi o point de um movimento artístico que reunia grandes poetas, escritores, roteiristas e artistas plásticos. Chamado de Geração 65, o grupo refletia “na poesia as grandezas e misérias, belezas e fealdades, alegrias e dores desta enorme cidade tropical”, segundo definição da época.

Não há mais resquícios físicos do prédio d’O Torre de Londres, que foi desativado e demolido no final dos anos 1960. Em tempo, o leitor Agnaldo Silva encaminhou um dos poucos registros fotográficos do restaurante. Na verdade, o prédio se encontrava nas dependências do Parque Treze de Maio, na proximidade do cruzamento da Rua João Lira com a Rua da Saudade.

Registro dos anos 1950, antes de o Edifício Marajó ser levantado. A localização do restaurante está circulada em vermelho (Crédito: Agnaldo Silva/Colaboração)

A Festa da Mocidade

(Foto: Manuel Borges/Colaboração)

O Palhaço Chocolate nem sonhava em fazer shows no Parque Treze de Maio quando outro evento reunia milhares de jovens no local. Era a Festa da Mocidade, um acontecimento que tomava conta do Recife com shows de artistas locais e regionais, apresentações de teatro, dança, circo, concursos de beleza e parque de diversões.

A Festa da Mocidade era um evento concorrido no Parque Treze de Maio (Foto: Diário da Manhã)

Realizada entre as décadas de 1930 e 1960, sempre em uma data entre novembro e fevereiro, a festa era promovida por universitários em prol da arrecadação de fundos para a construção da Casa do Estudante. Mas, ao longo dos anos, lideranças político-partidárias se aproveitavam da importância da ocasião em busca de visibilidade.

A Festa da Mocidade é apontada até hoje por pesquisadores como um dos eventos mais emblemáticos realizados por jovens recifenses, embora a iniciativa privada tenha assumido a organização, passando a explorá-la economicamente nos anos seguintes.

Teatro Almare e a popularização das artes cênicas

No final da década de 1940, o Teatro de Santa Isabel era o único que recebia montagem de peças no Recife, o que restringia muito o público frequentador, visto que apenas dramas e adaptações de obras estrangeiras entravam em cartaz.

Diante da escassez de variedades, atores resolveram fundar uma companhia que apresentasse outras linguagens teatrais ao público, mas o grupo esbarrou na falta de espaço para encenar.

Anúncio do Teatro Almare (Crédito: Biblioteca Nacional)

Com a companhia montada, os artistas aceitaram a proposta da prefeitura e ocuparam alguns espaços improvisados no Centro do Recife, até a conclusão de sua sede. A finalização das obras se deu em 1951, quando o Teatro de Emergência Almare passou a funcionar dentro das dependências do Parque Treze de Maio.

(Foto: Manuel Borges/Colaboração)

Se hoje o Parque Treze de Maio é destino certo para o piquenique de domingo ou para a caminhada nas primeiras horas da manhã, sua importância para o Recife vai além disso e atravessa o tempo como um verdadeiro oásis verde, ocupando lugar cativo no coração da cidade e no dos recifenses.

(Foto: Manuel Borges/Colaboração)

Por Manuel Borges

Jornalista matuto que trocou o gosto da cana pelo cheiro do mangue. Adora passear por locais, histórias, cultura, picos/festas/bares, personalidades e humor sempre tendo o Centro, o coração da Cidade do Recife, como tema. Instagram: @manecoborges.

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comment 8 comentários

  1. Viajar em um passado sem ter presenciando e no conforto do lar com ajuda da tecnologia é algo fantástico assim como ter lido essa matéria a respeito do Parque Treze de Maio. Parabéns ao idealizador.
  2. Parabéns pelo artigo, muito bom aprofundar os conhecimentos a respeito da nossa cidade, a melhor entre todas, RECIFE-PE.
  3. Minha mãe, então com 21 anos, tomou um navio do Ita aqui em São Luís, juntamente com inúmeras colegas do Colégio Santa Teresa, das irmãs doroteias, e desembarcaram em Recife, conhecendo-a pela primeira vez. Foram participar do Congresso Eucarístico, que foi realizado no Parque 13 de Maio. Todas ficaram hospedadas no Internato que existia ao lado da igreja da Soledade, na rua do mesmo nome. Por coincidência, quando eu cheguei em Recife em 1976 para concluir o Científico e fazer vestibular, todos os dias eu passava nessa rua a caminho do Colégio Radier, que ficava na Rua Fernandes Vieira.

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