Graças para iniciantes: O som do silêncio e de muitas coisas

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Foto: Heloiza Montenegro/Colaboração

“De avião, não. Eu odeio avião. São duas coisas que eu odeio, avião e uma cantora de axé”, que não será nomeada nesse post.

Eu ouvi essa frase ontem, numa mesa ao lado da minha na Vila Amizade. E pensei em sons. Em todos os sons novos que eu ouvi por aqui.

Na minha vida pré-Graças, os sons eram diferentes: eu morava ao lado de uma praça, onde eu ouvia crianças gritando, bebês chorando, missas que mais pareciam performances de arte contemporânea.

Graças para iniciantes: entre histórias, lugares e árvores

A primeira coisa com que aprendi a conviver aqui foi com o som das ambulâncias. E descobri que não existe hora para elas. Tem as ambulâncias com o barulho clássico. Tem outras que parecem uma rave. Uma rave no domingo de manhã.

Ouvi também um “boa noite” (acompanhado de um sorriso simpático), enquanto dava minhas clássicas e costumeiras caminhadas na Rosa e Silva.

Outro som clássico é o de crianças na escola. Ou nos restaurantes perto da escola. Ir ao Wayne’s ao meio-dia é quase como visitar um refeitório escolar.

As buzinas de carro nos horários de pico, a piscina do prédio vizinho nos fins de semana, os bares com música ao vivo, as festas com as mesmas trilhas sonoras e que parecem acontecer dentro da minha casa.

“Eu acho que você devia escolher o Pikachu”, por exemplo, foi ouvida na Meio do Mundo, na Rua do Futuro, enquanto tomava um chocolate quente ao lado de um amigo.

Igreja das Graças por Heloiza Montenegro (Colaboração)

Mas o meu favorito é o sino.

Um dia desses, enquanto minha mãe bordava e eu assistia algum desenho, minha mãe perguntou a hora. Quase imediatamente, eu ouvi o sino. Esse som me levou aos espaços mais distantes, memórias da época do colégio (de freiras, como é possível de se imaginar). O sino me conecta com o bairro, comigo mesma e com aquilo que eu nem lembrava.

E, no fim das contas, eram 17h.

Graças para Iniciantes: os caminhos entre as árvores

 

Heloiza Montenegro, novata no bairro, pode ser encontrada com a cabeça enfiada num livro, dormindo em um ônibus ou tomando chocolate quente. Ou escrevendo para o seu blog Em 365 dias.

 

 



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