Mestra de gerações, Dona Ceminha foi um ícone da educação em Casa Forte

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Das mulheres que fizeram história no bairro de Casa Forte, Zona Norte do Recife, uma das mais importantes foi Iracema Cavalcanti Costa Lima. Carinhosamente chamada de Dona Ceminha, ela comandou durante cinco décadas a Escola Padre Donino, tradicional unidade de ensino localizada na Praça de Casa Forte.

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Inaugurada em 1953, a escola foi responsável por educar várias gerações de moradores do bairro e das imediações.

Milhares de alunos passaram pelas mãos de Dona Ceminha que, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), era uma das mais antigas professoras brasileiras em atividade. Dos seus 93 anos – idade que tinha quando faleceu em 2002, decorrente de um AVC – 75 foram dedicados ao magistério.

Escola Padre Donino ainda hoje na Praça de Casa Forte

“Ela foi, sem exagero, uma líder importantíssima no bairro. Seria, por assim, dizer, a Quixote da educação em Casa Forte. Com certeza, em outro país, seu nome estaria escrito em livro e homenageada aos quatro ventos”, disse o ex-aluno, o professor universitário Luis Carvalheira Mendonça.

Mesmo aposentada pela Secretaria de Educação de Pernambuco, em julho de 1981, Dona Ceminha continuou a ensinar e administrar como diretora a Escola Padre Donino, como sempre fez, sem receber nenhuma recompensa material.

Em 1999, recebeu do Conselho Estadual da Educação, o diploma e a medalha “Mérito Educacional Professor Paulo Freire”

Além de ensinar as crianças do maternal e do ensino fundamental, Dona Ceminha abria as portas da escola todas as noites para ensinar gratuitamente as domésticas e alfabetizar  a população mais carente e os militares do Exército Brasileiro.

“Para ela, não importava se o aluno poderia ou não pagar. Não havia diferença entre o pobre e o rico. Era uma professora de dedicação extrema, que se realizava em sala de aula”, observou uma das sobrinhas de Dona Ceminha, Solange Costa Lima, em entrevista ao Jornal do Commercio de 2002.

Do sertão à sala de aula

Natural de Pedra de Buíque, no Sertão do Estado, Dona Ceminha era filha de pais professores e começou a lecionar aos 16 anos como voluntária na Escola Paroquial Pio X, com seu irmão e fundador da escola Padre Francisco Donino da Costa Lima, em Casa Forte.

Foto: Gil Vicente/acervo JC

Depois de formada, fez concurso público no Departamento de Educação Primária de Pernambuco, tendo sido a primeira colocada. Ensinou por muitos anos na Escola Silva Jardim, no bairro de Monteiro, vizinho a Casa Forte, Zona Norte do Recife.

Em 1953, fundou, em homenagem ao irmão, a Escola Padre Donino, onde fez história e trabalhou até 2001.

Amor pelo ensino e pelos alunos

“Figura esguia, vestida com sua saia de seda preta e blusa branca, os cabelos arrumados num coque sem vaidade, com seu passo miúdo, lento, porém firme, como sempre fazia, de casa para a escola, da escola para a casa.” É assim que Genoveva Tompson, colega de Ceminha, descreve a pedagoga.

Dona Ceminha – Foto: acervo pessoal da família

Ainda hoje, Ceminha é lembrada com carinho, seja pelo compromisso com a educação ou pelo jeito humano como tratava os alunos.

“Ela sabia ouvir e aconselhar cada um de nós, como segunda mãe afetuosa e terna, porém, firme e rigorosa no momento necessário. Ceminha era a criatura mais doce que alguém pode imaginar. E assim continuou por toda a vida”, disse o ex-aluno Fred Monteiro da Cruz.



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