Com 56 anos na ativa, D. Marina sustenta filhos e netos graças ao marisco

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Foto: Geraldo Lélis/PorAqui

São 56 anos de vida dedicada à maré, de onde se sustentou e sustenta 9 filhos e 18 netos. É assim a história de Marina Silva, marisqueira da Comunidade do Bode. “Desde os 8 anos que eu trabalho com marisco e sururu. Comecei ajudando minha mãe e hoje estou com 64 anos e criei meus filhos com o que tiro da maré”, comenta.

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Dona Marina, como é conhecida, vai ao Rio Capibaribe todos os dias acompanhada de toda a família. Enquanto a maré não enche, tentam catar o máximo de mariscos que encontram, para, em casa, limpar o produto, cozinhar e descascar para poder vender. “Vamos todo mundo. Eu e meus filhos. Os netos estudam de manhã e só vão quando a ida é à tarde”, explica.

“Não tenho o que reclamar da maré. Da maré, minha construiu essa casa, que era de madeira, e depois eu e meus filhos reformamos com alvenaria”, conta.

“Na época que eu comecei, que era minha mãe que organizava, era mais difícil para vender, porque a gente tinha que ir de porta em porta. Até que minha mãe começou a ir para o mercado. Depois ela faleceu, e a gente agora tem clientes que vêm buscar aqui em casa e tem os que encomendam pra a gente entregar”, acrescenta.

“A gente vai para a maré quando está secando e volta antes de encher. Quando chega em casa, tem que tirar a bucha do marisco (um tipo de sargaço), aí cozinha e depois cata de novo para ensacar”, completa.

No entanto, uma coisa tem preocupado Dona Marina. A poluição do rio tem feito com que o número de mariscos encontrados diminua. “Antigamente, a gente catava aqui na maré mesmo e conseguia voltar com quatro galeias. Hoje a gente tem que ir lá para o Centro da Cidade pra conseguir encher duas galeias”, reclama.

“Desde que construíram o Jumbo (supermercado onde funciona o Extra), não há mais vida na maré do Pina. A água é verde”.

Foi nessa rotina de catar, limpar, cozinhar e descascar que Dona Marina viveu e vive. Hoje ela é aposentada e não se vê sem fazer essa atividade. “Graças a Deus nos demos bem. Não precisamos pedir nada a ninguém, sem fazer nada de errado. Acordamos cedo para trabalhar sem medo de olhar para trás”, destaca.

Estima-se que mais de dez famílias do Bode ainda vivam de catar, tratar e vender marisco. “A renda do povo aqui era tudo da pesca. Hoje está muito misturado, tanto por causa da poluição da maré como também porque as famílias foram crescendo, e foram nascendo gente que não dava para a pesca, outras saíram do bairro”, encerra.

Nessa rotina, Dona Marina começa o dia por volta das 5h e, às vezes, às 22h, não ainda não conseguiu concluir todo o processo.



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