Mágica e malabarismo garantem o sustento de uma galera na Zona Norte

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(Fotos: Vanessa Bahé)

Nem tudo na vida é escolha própria. Algumas vezes, a necessidade faz as pessoas desenvolverem habilidades que não estavam nos planos. Outras, para se realizarem, não medem esforços, perdem o orgulho e se arriscam nas atividades profissionais mais diversas e incomuns. O certo é que a vida é um malabarismo pra todo mundo. E para Paul, Sérgio e Felipe, a arte e a técnica do circo viraram profissão e garantem a sobrevivência deles.

Paulo Henrique Chagas tem 23 anos e adotou o nome artístico de Paul Magic há um ano. Formado em publicidade, o mágico construiu uma vida profissional feliz e tira no sinal e nas apresentações seu sustento. “Foi uma escolha minha. Não tenho vergonha de ir pro sinal. Já trabalhei em empresas, mas gosto da mágica e ela me remunera relativamente bem”, diz.

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Paul pode ser encontrado via whatsapp nos números 99929.3053 ou 98322.6481 ou por e-mail ilusionistapaul@gmail.com

Paul conta que o primeiro contato com a mágica foi quando ele tinha três anos. “Eu fiquei muito impressionado. Um homem fez aquele truque de arrancar o dedo pra mim na padaria e eu só falava nisso pra minha mãe. Pensava que ser mágico era muito bom porque impressionava as pessoas. Aí, numa gincana da escola, com uns 13 anos, comecei a estudar pela internet pra me apresentar e acabei pegando gosto. Tanto que eu era conhecido pelo apelido de mágico na escola e, em toda oportunidade, eu me apresentava para os colegas”.

Há sete anos, Paul se dedica mais profissionalmente à magica e começou a praticar no sinal há um ano. Como mora na Zona Norte, costuma ir ao Espinheiro para se apresentar no semáforo. “Terminei a faculdade por uma cobrança da família, mas sempre quis viver de mágica. O sinal, além de ser minha origem, foi de onde tirei todo o capital pra investir nos shows. Depois que passei a entender um pouco de negócio, abri minha empresa, mandei fazer cartões de visita e entregava nos sinais”, afirma.

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Atualmente, Paul tem uma agenda de shows em aniversários e eventos, mas sempre gosta de ir para os semáforos tirar um extra. “É uma renda ótima, melhor que ficar em casa sem fazer nada. Em uma hora no sinal tiro de R$ 30 a R$ 50. Pra você ter uma ideia, consigo ter uma renda mensal de R$ 4 a R$ 5 mil juntando os shows e o sinal. Isso num mês bom. Mas mesmo se for ruim consigo fazer uns R$ 2.500. Muito melhor do que se eu tivesse num escritório como recém-formado, estaria ganhando R$ 1.200”, ressalta.

Viajando pela América Latina

O chileno Sérgio Escovedo, 29 anos, também se apresenta nos sinais por escolha. Ele trabalhava em uma companhia de teatro como palhaço no seu país e resolveu viajar pela América Latina, há quatro anos, com o propósito do circo de percorrer vários lugares.

A ideia era satisfazer seu lado pessoal de aprendizado e sobrevivência. “Penso que é uma retroalimentação da alma e resistência do corpo. É saber viver com menos”, afirma.

Há dois anos Sérgio está no Brasil e há um mês no Recife, mas já passou pelo Peru, Bolívia, Paraguai, Equador, Colômbia e Venezuela. Ele é filho único e disse que a família o apoia na decisão.

Agora, o chileno disse que por imprevisto deve passar mais tempo do que o desejado na capital pernambucana. “Minha companheira está grávida. Por isso, os planos que eram de ir até o México serão adiados por uns dois anos até o bebê ficar maior. Depois continuaremos a viagem e voltaremos para o Chile”, explica.

Sérgio também se apresenta em festas e aniversários como palhaço ou malabarista e costuma estar diariamente nos sinais no Espinheiro e nas Graças. “Sempre venho para esses bairros porque é de classe média mais alta. Então é mais fácil arrecadar mais. Já cheguei a receber nota de R$ 50 e R$ 100. Mas o normal é eu conseguir fazer uns R$ 120 por dia. Até porque cansa muito e não consigo ficar o dia todo”, esclarece.

O malabarista está na rede social Facebook como Semente Semente. É por lá onde se comunica e fecha as apresentações.

Já o malabarista Felipe Spacca, de 31 anos, destaca que está trabalhando no sinal há seis anos por necessidade e falta de oportunidade de emprego. “São as consequências da vida. A acrobacia começou pra mim como uma diversão, aprendi com amigos, e acabou virando uma profissão. Hoje paga minhas contas”, diz.



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