Mudanças (de vida e de paradas de ônibus)

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(Crédito: Thiago Ramos)

De tempos em tempos, minha vida toma rumos mais inesperados que um Rio Doce/CDU vazio, às 18h, na Rua do Espinheiro. São caminhos tortos, que se assemelham às paradas do BRT na Conde da Boa Vista. Mudanças de itinerário que me deixam mais perdido que um usuário de ônibus na Guararapes, em semana pré-carnaval.

Em menos de uma década, troquei de profissão, mudei de bairro, terminei outra faculdade, tornei-me pai (e o Teatro do Parque ainda está fechado). Fiz muita merda também, óbvio. Em retrospecto, alguns episódios da minha vida parecem aquele viaduto do Corredor Leste-Oeste, na Caxangá: dinheiro e tempo jogados fora e prejuízos que duram até hoje, afetando todas as pessoas ao redor.

No somatório, contudo, a balança pende para o lado da celebração. Seja por estar vivo, seja por não pegar mais o CDU/Várzea. Parece melancolia, mas é banzo pós-chambaril. Os sintomas são quase idênticos, mas só o último dá fraqueza nas pernas.

Fazer um apanhado da própria trajetória é como seguir o “Eu acho é pouco” na terça-feira gorda: dói até a alma, mas liberta e entorpece. Também é constatar que, assim como no carnaval, o que me leva pra frente, na vida, são topadas e empurrões.

O conteúdo das colaborações não reflete necessariamente a opinião dos editores do PorAqui.

Daniel Barros é recifense, formado em Letras pela UFPE. Atualmente mora no Derby, mas é cria da CDU. Come e bebe em demasia. Já tomou muita cerveja no Mercado da Encruzilhada.  Nos intervalos, anda de ônibus. Nesta vida, veio a passeio, mas ficou preso em Abreu e Lima. É conteudista colaborador do PorAqui para desperdiçar seu tempo.



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