Bicicross, o esporte que foi febre entre os anos 80 e 90 em Setúbal

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Arquivo pessoal

Entre os anos 1980 e 1990, na Vila da Aeronáutica em Setúbal, um esporte tomou conta da garotada: o bicicross, uma modalidade mais radical de corrida de bicicletas especialmente projetadas para terrenos irregulares e manobras radicais.

Conversamos com Vandré Vital, um aficcionado pelo esporte que tem registrado na memória e em fotos antigas as melhores lembranças daquela época, incluindo namoros, amizades, vitórias e muitas, muitas quedas. “No pain, no gain”, né?!

A pista, apesar de construída dentro da Vila da Aeronáutica, localizada entre a Baltazar Passos e a Armindo Moura, era aberta aos praticantes do esporte, familiar ou não de militares. A prática do bicicross já existia e acontecia muito em Olinda e Jaboatão dos Guararapes.

O Sargento Guardiola, transferido de Santa Catarina, trouxe as bikes para Setúbal. Como os filhos, Carlos Augusto, Alex e Vanessa eram praticantes, foram logo se enturmando com uma galera local, incluindo Vandré, e passaram a frequentar alguns espaços até que o pai resolveu construir uma pista, com rampa e tudo, na vila.

A construção teve, entre tantos outros, apoio da própria Aeronaútica, do Clube das Águias, das Casas Martins Bicicletas e do Santa Cruz.

Pista pronta, a garotada caiu em cheio, a imprensa noticiou e não demorou muito a surgirem os campeonatos. Até essa pessoa que vos escreve chegou a dar umas voltinhas em sua adolescência!

O bicicross entrou na vida de Vandré, e provavelmente na de muitos outros adolescentes, em meados dos anos 80 no intervalo dos Trapalhões, em um comercial do Nescau que promovia a BMX Super, a bicicleta dos sonhos da molecada. Sonhos realizados, a galera se encontrava na vila e mandava ver nos treinos. Manhã, tarde e até noite era hora de cair na pista (por vezes, literalmente).

Muitas voltas e manobras depois, Vandré lembra um por um quem eram os feras radicias da época e no que eram melhores. Veja se você está na lista ou conhece alguém, afinal, recordar é viver!

Adésio Santos – O atleta mais velho da época (e de hoje também,) ainda corre, atual rival do Vandré nas pistas, já foi campeão Panamericano e Sulamericano recentemente nas categorias Master.

Alex, Vanessa e Carlos Guardiola – A família maravilhosa que construiu a pista na Vila da Aeronaútica.

André e Wagner das Ligths – Os pequenos que voavam alto.

Carlinho Hamed – O menino dos saltos longos e altos. Sofreu uma queda sem capacete, assustando a todos tendo de ficar dias hospitalizado.

Edimilson Crispim – Rival de Adésio na época, a pista parava para ver os dois correrem!

Franci Vital – Irmão de Vandré, ganhava tudo nas categorias infantis.

Guga Roque – Moleque de 12 anos que fez um giro de 360° no ar.

Guilherme Xuxa – Bom de pista e de namoros, as meninas ficavam nas arquibancadas atrás dele.

Helder Vasconcelos – Grande rival de Vandré e por isso inspiração para seus treinos. Atualmente é dançarino e músico, fez parte da banda Mestre Ambrósio e gravou o filme O Homem que Desafiou o Diabo, sendo ele o próprio diabo!

Helder, Tubiba e Fulvio (Foto: Acervo Pessoal)

Jean e Junior Silva – Os irmãos que andavam demais.

Junior Bunda Ateniense Machado – Rival número 1 de Vandré, ganhou 20 corridas contra uma dele. Vandré diz que corre até hoje por causa desse cara, pra estar preparado caso um dia ele volte.

Marcos “Xaréu” Vinicius – Piloto freestyler, manobras e saltos incríveis, entusiasta e vibrador, um grande incentivador (in memoriam).

Mauricio Roque – Primo de Guga – Outro cara de saltos incríveis.

Moisés Monza – Irreverência nas corridas e nos saltos.

Paulo Roque – Irmão de Guga, muito forte nas pedaladas.

Rique Castilhos – Companheiro de Xáreu e grande piloto e freestyler (in memoriam)

Rory Ricardo – Cara forte nas pedaladas, mecânico excelente, amigo extraordinário do Vandré.

Soraiva Viana – A menina mais rápida da pista.

Tati Vital – Irmã de Vandré, ganhava tudo que era modalidade.

Thiago Roque – O mascote com então seis anos na época, era o destaque total.

Vandré Vital – O rei dos 360º no ar.

Williams Trajano (Caminhão) – O cara dos saltos incríveis.

Bicicross hoje

Há uma pista no Parque da Jaqueira e no Parque Santana e um bowl no Dona Lindu usado para manobras de bike.

Para manter viva a memória do esporte Vandré Vital tem o blog vandrebmx. Se você é fã do esporte pode contribuir com ele.

E aí, galera de Setúbal, vai uma pedalada?



comment 2 comentários

  1. Que legal essa matéria! Digno de registro, pois é História, que entre 80 e 90, em Setubal, na pista do 90, dezenas de outros pilotos participavam. Destaca-se o fato de que na mesma época já existia a pista de bicicross do Parque da Jaqueira. Nesta, treinavam pilotos moradores dos bairros de Aflitos, Gracas, Casa Amarela,Torre, Cordeiro, dentre outros. Muitos eram integrantes das equipes Antárctica e Engel. Pilotos que corriam na pista do 90 em Setubal, e sagraram-se campeões pernambucanos, norte-nordeste. Alguns participaram de campeonatos em Brasília, São Paulo, Minas Gerais, etc. São inúmeros os registros por fotos, recortes de jornais, trofeus e medalhas desses pilotos campeões em 80 e 90, que correram no 90, advindos da Pista da Jaqueira, a exemplo de: Ricardo Rocha Ednaldo Santos André Gouveia Fernando Cantalice (in memorian) Claudio Bola Preta Ricardo Cobra Kan Gilmar Batista Rodrigo Bolinha Edmilson Arapinha Sandro Xará Dentre muitos outros. Curioso que muitos, de origem humilde, saiam cedo da manhã, pedalando de seus bairros, da zona norte, para Setubal, para treinar e competir. Venciam! Valorizavam o incentivo que recebiam em forma de apoio uns dos outros, jamais esquecendo que esporte é integração e respeito entre pessoas. O valor do ser humano. Importa destacar também, por ser fato (temos fotos, registros) que o podium, na pista do 90, na maioria das categorias, quiça todas, contemplava um ou mais pilotos do Parque da Jaqueira. A História do Bicicross em PE está vinculado a um conjunto enorme de fatos e momentos marcantes. As Pistas Jaqueira, 90 Graus, Punhate, existiam e os pilotos interagiam entre si fazendo a existência do esporte em tela. Que bom que muitos guardam esses registros físicos e mentais, de modo que não se ofusque o brilho do que consiste na beleza ou essência do bicicross. Finalizo, parabenizando a matéria do blog, que destacou grandes registros. Fico à disposição para contribuir, na medida do possível, coletando fotos, vídeos, jornais, matérias de época, de vários amigos pilotos e seus familiares que integraram efetivamente os acontecimentos relativos ao bicicross nos anos 80 e 90. Obrigado André Gouveia
  2. Parabéns ao Vandré que com muita dedicação e persistência não deixou o Bicicross morrer em Pernambuco! Faltou Gilmar batista, frani vital e eu kkkk!!!!

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