Villa Ritinha: história, arte e cultura num só lugar

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Casa Cultural Villa Ritinha/Facebook

Um oásis de cultura e beleza em meio ao casario desgastado da Rua da Soledade. Sobrado secular no bairro da Boa Vista, há 3 anos e meio a Casa Cultural Villa Ritinha começou a ganhar nova vida pelas mãos do art designer alemão Klaus Meyer e hoje é um café bar e espaço com intensa programação semanal.

O casarão de número 35 existe desde 1840 e já foi residência de um barão português do açúcar. O nome Ritinha foi em homenagem à sua esposa. Com o tempo, o lugar, que foi símbolo da nobreza da cidade, teve vários usos: virou hotel, pensão e até bordel.

Pinturas originais foram sendo descobertas aos poucos (Foto: Casa Cultural Villa Ritinha/Facebook)

“Foi um achado”, diz Klaus Meyer, que se apaixonou de imediato quando conheceu o lugar, que estava abandonado. “Quando eu vi, na hora já sabia que era aqui que eu iria morar e montar meu escritório”.

A arquitetura, pinturas e azulejos no estilo neoclássico são originárias de várias partes do mundo: Holanda, França, Portugal, Bélgica, Inglaterra.

(Foto: Casa Cultural Villa Ritinha/Facebook)

Porém, toda essa beleza e história estava escondida. “Nem eu tinha ideia da riqueza que era aqui”, revela. “Quando assumi, tivemos que tirar várias camadas de tinta e sujeira e, então, descobrimos o primeiro afresco”, conta Meyer.

Ele diz também que muitas partes do casarão estavam em estado avançado de degradação. Madeiras infestada de cupins, paredes sem parte do reboco. Um processo de recuperação se iniciou, sob os cuidados do restaurador alemão Matthias Kjer, para resgatar o máximo do casarão, sem intervir nas suas características originais.

Aos poucos, a recuperação vem avançado para os diversos cômodos, onde se percebe a riqueza artística que a Villa Ritinha carrega. O piso, a sala de espelhos, afrescos e pinturas. Tudo conta uma história. Até mesmo traços de maçonaria são encontrados no casarão.

(Foto: Fernando da Hora/JC Imagem)

A antiga capela que ainda existe lá será restaurada e deve voltar às atividades em breve. Assim como o elevador (“a primeira casa em Pernambuco a ter elevador”, diz Klaus), que deverá também ser reinstalado. “Encontrei o mesmo modelo do original, todo em bronze, em São Paulo”, revela Meyer.

Outra curiosidade histórica do lugar é uma jaula de leões, que continua lá, intacta. “Os donos da casa, naquela época, criavam leões. Era normal”, diz.

Jaula de leões permanece no local (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

O investimento foi – e ainda está sendo – grande, conta Meyer. “Somente na limpeza, foram gastos R$ 120 mil”, diz. “A pessoa tem que amar muito um lugar para fazer isso”, revela o alemão, sobre os 400 m² onde vive, trabalha e oferece arte para o público.

Atualmente, o Villa Ritinha abriga exposições, concertos, lançamentos de livros, palestras e o café bistrô, que funciona de terça a sábado, das 13h às 21h.

Programação cultural

Além do café bistrô e das outras atividades, a Casa Cultural Villa Ritinha conta com uma programação musical semanal, com a curadoria das produtoras Juliana Sena e Marah Rúbia.

Os projetos que se dão ao longo dos dias são as Terças Clássicas (concertos de música erudita), Quintas com Jazz e o Sábado de Chorinho. Eventualmente também acontecem show de artistas da cena musical pernambucana, com trabalhos autorais.

E nesta quinta (13), às 20h, quem se apresenta é o saxofonista Zymba Ribeiro, que mescla o som do instrumento a bases eletrônicas. Já no sábado (15), às 14h, é a vez do Duo Sensível formado João Paulo Albertim (cavaquinho) e Marco César (violão de 7 cordas). Ambas as entradas custam R$ 15.

SERVIÇO
Casa Cultural Villa Ritinha
Rua da Soledade, 35, Boa Vista
De terça a sábado, das 13h às 21h

Quintas com Jazz, com Zymba Ribeiro
Quinta (13), às 20h
R$ 15

Sábado de Chorinho, com Duo Sensível
Sábado (15), às 14h
R$ 15



comment 1 comentário

  1. Que beleza! Restaurar um lugar lindo ,antigo e muito histórico( mas que estava esquecido )em um lugar recheado de atrações culturais, sem perder seus traços da época. Parabéns!

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