Espaço Experimental: dança, cultura e movimento no coração do Recife

Whatsapp Facebook Twitter Linkedin Email
Foto: Divulgação

Com colaboração de Gabriela Lobo

Há 24 anos surgia, no Recife, o Grupo Experimental. Sob a batuta da diretora e coreógrafa Mônica Lira, o Experimental desenvolveu uma linguagem própria, em que aspectos da cultura da cidade e de sua gente se mesclam à dança contemporânea. Com isso, se consolidou como uma das companhias de dança mais expressivas e ativas do Nordeste.

Desde 2000, o 1º andar do edifício de número 199 da Rua Tomazina, no Bairro do Recife, se tornou a casa do grupo. Nascia o Espaço Experimental, que se tornou referência como local que abraça, estimula e discute arte.

“Breguetu”, um dos espetáculos apresentados no Espaço Experimental (Foto: Reprodução/Facebook)

Lá, a companhia promove oficinas e debates, além de seminários, grupos de estudo e programas de intercâmbio em dança. “O Experimental é um espaço que fomenta muito a cultura, a arte”, diz Mônica Lira. “A gente procura interagir com a cidade. Por isso, o espaço se transformou num lugar de várias ações”, continua.


Aulas de tecido acrobático (Foto: Arquivo pessoal)

Além das aulas de dança (popular, contemporânea e balé clássico) e tecido acrobático, o Espaço ainda abriga o estúdio Ponto 6 Pilates e o Um a Um Espaço de Beleza. E, aos domingos, das 16h às 18h, as aulas de percussão do Grupo Quebra Baque. “O Espaço acabou se tornando um centro de atendimentos diversos, mas sempre com esse pilar artístico. As pessoas transitam por esse espaço por coisas bem diversas”, destaca Mônica.

Aulas de pilates (Foto: Arquivo pessoal)

E, óbvio, o Espaço Experimental também é a casa de apresentação de diversos espetáculos, seja os do próprio Experimental como os de grupos de outras partes do Brasil. É o caso do projeto Espetáculos em Sala, que recebe o grupo mineiro Rede Sola de Dança, de quinta (28) a domingo (1º de outubro).

Espetáculos em sala

O Espetáculos em Sala é um projeto de intercâmbio do Grupo Experimental com outras companhias de dança, e tem incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura. Acontece mensalmente, sempre no último final de semana de cada mês, e seguirá até janeiro de 2018.

Neste fim de semana, de quinta (28) a domingo (1º), sempre às 20h, quem sobe ao palco do Experimental é a Rede Sola de Dança (MG), que apresentará 3×1, uma série de três solos: Entulho, de Duna Dias, A Sede do Peixe – secAR, de Ítalo Augusto, e Proteína Desnaturada, de Lucas Medeiros. A entrada custa R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

A Rede Sola de Dança (MG) participa da edição de setembro de “Espetáculos em Sala” (Foto: Pablo Bernardo)

A primeira edição do Espetáculos em Sala foi com o próprio Grupo Experimental, e aconteceu em agosto último. “Nós apresentamos Zambo. Foi uma forma de recepcionar os outros grupos que virão à frente”, lembra Mônica.

Outras realizações

Muito além do aspecto apenas artístico da dança, o Grupo Experimental também trouxe ao espaço importantes projetos que focaram na formação e discussão da dança e da arte. “São ações que vêm somar ao processo criativo. A gente sai do âmbito da criação, para poder abrir essas oportunidades e pensar politicamente na cidade. Nas carências que a gente tem”, ressalta Mônica.

No intuito de discutir dança e arte, nos âmbitos prático e teórico, o Experimental sediou o projeto Reciclarte. Em cinco edições – realizadas entre 2005 a 2016 –, trouxe profissionais e pesquisadores ligados às várias linguagens artísticas para estimular discussões sobre o fazer artístico e suas implicações.

“Nós propusemos uma reflexão sobre quem vive no Recife e de como podemos interagir nesse lugar tão difícil, com poucos recursos, com uma política cultural tão equivocada”, explica e critica Mônica.

Já no âmbito socioeducativo, mas com viés fortemente focado na formação de profissionais, foi realizado o Núcleo de Formação em Dança. De 2004 a 2014, o grupo atendeu cerca de 650 jovens de comunidades, oferecendo oficinas e atividades ligadas à dança. “A prata da casa”, diz Mônica.

Núcleo de Formação em Dança oportunizou aprendizado a jovens de comunidades (Foto: Arquivo do Grupo Experimental)

“Realizamos vários módulos, focando na formação desses jovens, dando oportunidade para quem queria se tornar bailarino profissional. Muitos, hoje, estão pelo Brasil e na Europa, dançando profissionalmente, ou estão inseridos na universidade”.

Muito além de trazer os jovens para o Experimental, o próprio grupo também foi às comunidades, ampliando seu campo de atuação para além das fronteiras do Bairro do Recife. Tudo em nome da dança e da arte, ainda trincheira de resistência e utopia nesta cidade.

SERVIÇO
Espaço Experimental
Rua Tomazina, 199 (1º andar) – Bairro do Recife Antigo
(081) 3224-1482 / (081) 98236-3777
Segunda a domingo, das 8h às 18h (horário comercial)
Seg a quinta, das 18h às 22h (aulas de dança e tecido acrobático)
Sextas e sábados, à noite (espetáculos)
Domingos, das 16h às 18h (aulas de percussão do Quebrabaque)



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *