Entre fotos e poemas, André Zahar expõe o seu Inverno Astral

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(Foto: Divulgação)

Quando chega o inverno, as andorinhas migratórias do Ártico atravessam todo o Globo Terrestre até chegarem ao Sul, em busca do calor do Verão. É o instinto natural. O jornalista, poeta e artista gráfico carioca André Zahar fez o caminho inverso: perseguiu o seu Inverno. Aquele estado/estação do ser onde tudo que parece findar e se destruir, acaba por renascer, pela força soberana da natureza.

Em uma série de viagens, iniciadas em janeiro de 2016, ele visitou lugares que, a princípio, podem parecer díspares entre si: as Dunas do Ceará, o Sertão do Cariri, a Chapada Diamantina e um dos mais intrigantes países do mundo: a Islândia.

A improvável narrativa combinada por essas andanças foi possível e está presente em Inverno Astral, exposição que ele lança, nesta terça (14), às 20h, no bar Besta Fera, na Rua Mamede Simões, na Boa Vista. A mostra seguirá até o dia 8 de dezembro.

(Foto: André Zahar)

Um conjunto de 15 fotografias e três poemas traduzem o que André viu e viveu de passagem por essas regiões. Por exemplo: a raríssima imagem de uma flor de camdombá surgida após um incêndio devastador na Chapada Diamantina. As flores que se estendiam na mesma proporção da área devastada. “Vi naquilo uma vingança da beleza”, diz André.

Nas Dunas do Ceará, ele viu os movimentos das areias, formando outras imagens. “É aquilo que se move. As dunas não são estáticas, elas mudam de forma, é fluido. Aquilo também é um espetáculo da natureza, de como ela se adapta, de como é dinâmica”, percebe.

Flor do cambombá na Chapada Diamantina (Foto: André Zahar)

Porém, o frio estava por vir: a sua ida à Islândia (viagem em que passou também pela Holanda e Suécia). Do avião, durante o pouso, já avistou a Aurora Boreal (também devidamente registrada entre as fotos da exposição).

André seguiu sozinho nessa viagem. “Acabei descobrindo, conversando com um turista lá, que me disse que ir para Islândia é algo que tem de se fazer sozinho”. Rumo a um inverno que ele mesmo buscava, esse contraste com uma realidade tão solar e tropical que temos no Brasil, André teve revelações acerca da dinâmica da natureza e do próprio ser humano.

“É um cenário de vulcões, de vegetação muito recente, diante das destruições que os vulcões provocam. Lá tem muitos musgos, plantas rasteiras, mas poucas árvores. Mas, ao mesmo tempo, também tem geleiras, por ser inverno. É um contraste interessante”.

A Aurora Boreal da Islândia (Foto: André Zahar)

E qual a conexão dessas paisagens por onde Zahar passou? o deslocamento. Algo intrínseco à sua natureza. Nascido no Rio de Janeiro, descendente de libaneses, já morou em João Pessoa (PB) e, atualmente, no Recife.

“Sempre me interessei por narrativas de deslocamentos. Elas também fazem parte da minha história, de ter família em Alagoas, no Rio, de ser descendente de libaneses, e de acreditar que o ser que se abre à experiência do deslocamento de alguma forma cria dentro de si suas próprias fronteiras.”

SOBRE O AUTOR – Natural do Rio de Janeiro e morando em Recife desde 2013 (escolheu a cidade motivado por sua efusiva e polivalente produção cultural), André Zahar dedica-se ao jornalismo, mas também a poesias e artes visuais. É autor de Mafuá – Autoajuda para Mamutes, do cordel A Praga da Corrupção e participante da coletânea internacional de contos O Último Livro do Fim.

SERVIÇO
Inverno Astral – Exposição de fotos e poesias de André Zahar
Abertura: 14 de novembro, às 20h (segue até 19 de novembro).
Bar Bestafera l Rua Mamede Simões, 12 – Boa Vista



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