Conjunto 301: repensando memórias de um tempo em ruínas

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Foto: Danilo Galvão

Quem passa pelo centro da cidade nem se dá conta do tanto de histórias que carregam os 14 andares do Edifício AIP, na Avenida Dantas Barreto. Na fachada, o letreiro “CINEMA AIP” ainda “grita” pela sua existência. Dentro, do 4º ao 13º andar, escombros, amontoados e penumbras sufocam esse grito.

Essa é uma realidade de um entre tantos outros prédios, públicos ou não, espalhados pelo Recife: o abandono. Mas, em meio ao tanto de histórias despedaçadas do AIP, lá dentro, uma proposta surge para repensar esse movimento de “embate” entre o progresso e as ruínas, o velho e o novo, as memórias e o presente: o Conjunto 301.

(Foto: Danilo Galvão)

Instalados numa das salas do 3º andar do AIP, os artistas Bruna Rafaella Ferrer e Danilo Galvão se juntaram com a proposta de agregar pensamentos, ideias e projetos que dialoguem com as questões referentes à estética urbana, ao patrimônio (em ruínas), às memórias e à dinâmica desses centros urbanos.

“Para mim, o Conjunto 301 é um laboratório de questões da estética urbana, do centro da cidade. Existem noções, conceitos e situações bem interessantes que me interessam enquanto pesquisa: a ruína, as relações dentro de um centro comercial, questões de patrimônio, um monumento simbólico como é o AIP, que representa isso muito bem”, diz Bruna.

(Foto: Danilo Galvão)

O Conjunto 301 abrirá suas portas ao público no próximo sábado (14), às 16h, com a mostra À Beira, do coletivo homônimo, formado por alunos do curso de Artes Visuais da UFPE. A exposição contará com pinturas, fotografias, instalações, videoarte e performances, e ocupará o espaço até o dia 28 de outubro.

Bruna, porém, faz questão de frisar que o Conjunto 301 não será um ateliê, e sim um espaço em que se pretende fomentar discussões – seja através das plataformas artísticas em suas mais variadas expressões, ou não – sobre essas relações inerentes aos centros urbanos, e, também, para agregar quem esteja disposto a colaborar nesse processo de ressignificação do olhar para esses centros.

(Foto: Danilo Galvão)

“Estamos pensando formas de potencializar essa ideia e agregar pessoas que estejam interessadas em mergulhar nessa estética urbana e abrir uma porta para que essas pessoas também trabalhem aqui”, comenta ela.

“Por isso, achamos que era pertinente ocupar o AIP e usar a própria história dele, o material físico e simbólico dele como forma de pesquisa e de desdobramento para outros projetos, colaborativos, inclusive”.

“Queremos propor encontros com outros trabalhos que se relacionam com o urbano, próximo das narrativas possíveis dessas várias camadas de tempo, de história”, continua Danilo. “Entender como funcionam os tempos e os silêncios que existem aqui”, conclui.

À Beira

Nesse processo de aglutinar pessoas e ideias que venham a contribuir com a problematização dessas questões, o Conjunto 301 será inaugurado com a exposição À Beira, que ficará no espaço de 14 a 28 de outubro, sempre aberta ao público nos três sábados (14, 21 e 28), a partir das 16h.

Formado por alunos de Artes Visuais da UFPE, o coletivo À Beira surgiu como consequência da exposição. São 16 trabalhos – entre pintura, fotografia, performance, instalações, videoarte, etc – que abordam, livremente, várias temáticas, como periferia, sexualidade, etc.

(Foto: Reprodução)

O Conjunto 301 surgiu como o local mais adequado para apresentar a mostra, por extrapolar os limites das artes apenas do campo plástico, mas também desembocar no pensar e repensar referente à dinâmica urbana. “Dentro da natureza do que eles estavam pensando, e vendo o que estava acontecendo no AIP, fez todo o sentido eles virem para um lugar que também está à margem, à beira”, considera Bruna Rafaella.

A mostra fará também outras atividades. Um delas será voltada para alunos da rede estadual de ensino, que participarão de visitas guiadas à exposição, pelos integrantes do coletivo À Beira, conhecendo, inclusive, alguns dos artistas com trabalhos expostos.

Além da mostra em si,  será realizada uma série de três debates (ou “conversas”, como o coletivo prefere chamar), durante a vigência da exposição, sempre aos sábados, às 16h. Como convidados, algum artista ou gestor afeito ao assunto abordado na conversa, que irão enriquecer o momento com suas vivências.

Confira a programação e os temas abordados:

14/10
Tema: Patrimônio e Resistência Cultural
Facilitadores:Lorena Taulla
Mediador: Bruna Rafaella Ferrer

21/10
Tema: Arte para quem? Insurgências coletivas em Pernambuco
Facilitador e mediador: Coletivo À Beira
>>> Após a conversa, haverá o “rolezinho” de intervenções urbanas, de lambe-lambe, nos arredores do Edifício AIP

28/10
Tema: Atualidades e novas perspectivas de um estado de arte em crise
Facilitador: Marcelo Coutinho
Mediador: Coletivo À Beira

SERVIÇO
Conjunto 301
Abertura com a mostra “À Beira”
Sábado (14), às 16h
Edifício AIP | Avenida Dantas Barreto, 576 – São José

 



comment 1 comentário

  1. Lugar incrível e sua localização, junto a esquina, é muito bacana. Estive ai em várias ocasiões para ver filmes no cinema AIP e mais ainda no vizinho Inalmar( cujos aptos são fantásticos) já que sou fotógrafo e pude conviver com Alcir Lacerda da Acê Filmes e outras grandes figuras da época.Ainda guardo comigo, muitos dos negativos processados ai na Acê Filmes, se quiserem, podemos pensar em algo. Parabéns pela iniciativa.

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