Caça ao vinil: roteiro musical (quase) escondido no Recife

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Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui

“Recife tem encantos mil”, já dizia a música do nosso Rei, o Rossi. Mas espere um pouco e – por ora – esqueça as belas pontes (você as conhece?), a arquitetura do Recife Antigo e a gastronomia de dar água na boca. Uma boa parte desses encantos ainda não é visível a olhos nus.

O PorAqui deu uma andada pelo Centro do Recife e foi a três lugares que são verdadeiros paraísos, mas que muita gente daqui nem sabe que existem. Estamos falando de LPs… Estamos falando de um roteiro alternativo dos curiosos musicais. E a curiosidade é um microbiozinho que ataca, sem dúvida, 100% dos apaixonados por vinis.

Por dentro dos paraísos

De frente para a Praça Maciel Pinheiro, número 370: suba a estreita escadinha e vá ao 1º andar. Lá, você vai encontrar Aldemar Oliveira, ou melhor, Dema do Vinil, um cara frenético, ligado no 220, simpatia pura, pronto para atender quem vai em busca de um disco.

Dema Vinil (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Dema nasceu em Pesqueira, mas foi para São Paulo com 1 ano de idade. Aos 15, começou a vender discos na feira, em Guarulhos. Não largou mais esse ofício/vício. Lá, chegou a ter uma loja, a King Vinil.

De volta ao Recife, continuou a vender vinis. Primeiro, no camelódromo. Depois, seguiu para a sala (são duas, na verdade) onde se encontra hoje, há oito anos. Ele estima ter entre 3 mil e 4 mil LPs. “Aqui eu tenho clientes que vem em busca do estilo que você imaginar. Até Xuxa o pessoal já veio comprar aqui”, fala ele.

Seguindo mais adiante, ali pertinho da Praça do Sebo, o que não é difícil de encontrar é gente vendendo disco. Mas só um é Cláudio, que, além de ter um ponto de vendas na rua, tem cerca de 15 mil LPs abarrotados numa sala no 9º andar do Edifício Brasília e é, também, cantor de brega.

Desde os 12 anos, Cláudio vendia discos. Passou 15 anos afastado do ramo, com uma banca de revistas. “Mas eu sempre continuei comprando e investindo em vinil. Nunca fiz muita questão de CD, porque eu tinha esperança que o vinil voltasse. E voltou”, diz.

Cláudio Alexandre tem cerca de 15 mil vinis (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Cláudio é rato das feiras de troca de vinis. Ia em Peixinhos, Cavaleiro, Água Fria, para abastecer sua coleção. “Hoje, eu ando o Brasil todo, comprando vinil”, diz Cláudio, jeitão despojado e que também se arrisca como cantor. São 10 discos de brega, gravados independentemente, com recursos próprios.

Mas sua coleção, diz ele, vai bem mais além. “Aqui tem tudo, meu amigo: é forró, axé, frevo, maracatu, rock. Tanto para o público jovem, como para os velhos colecionadores”, diz. Afinal, são 15 mil discos, né?

Mas, tá achando 15 mil muito? Pois bem, vamos até a Av. Dantas Barreto. Ali na altura do 682, em frente ao Milet Shake, você vai encontrar a banquinha de Maurício Gonzaga. Alguns vinis, uns CDzinhos, coisa humilde. Mas, se prepare, que vem aí o pulo do gato.

Quer achar aquele disco “pé de cobra”, raridade das raridades? Maurício te leva até o galpão dele, na Travessa do Falcão. Um lugar bem entocado, mas logo ali perto. Depois que ele abre o cadeado e a grade e sobe as escadas: 50 mil LPs surgem à sua frente! É disco até o teto!


Maurício, com mais 150 mil LPs, procura lugar maior para guardá-los (Foto: Leonardo Viloa Nova/PorAqui)

Tudo, absolutamente tudo que você perguntar a Maurício sobre algum disco, ele terá. Se não tiver, ele garante conseguir. Afinal, além dos 50 mil vinis no galpão, ele estima ter mais 80 mil a 100 mil guardados em casa.

“Eu estou, inclusive, procurando um outro lugar para guardar as coisas, porque não cabe mais aqui nem em casa”, conta Maurício. Além dos LPs, ele possui equipamentos como passa discos, vitrolas, aparelhos de rádio antigos e até gramofones, como um RCA Victor, do começo do século XX, que ainda toca, à manivela.

O galpão de Maurício é um oásis no meio do centrão e muito visitado por turistas. “No último feriadão, um casal de mineiros veio aqui três dias seguidos, comprar discos, quase perdem o voo de volta”. Um cliente fiel é o britâncio DJ Cliffy, que abastece boa parte do seu set list de música brasileira com os vinis que compra de Maurício.

Serviço 

Dema Vinil
Praça Maciel Pinheiro, 370, 1º andar – Boa Vista
Telefone: (081) 98829-1714 / (081) 99722-6831

Cláudio Alexandre
Edifício Brasília | Rua Siqueira Campos, 279, 9º andar – Santo Antônio
Telefone: (081) 99799-9232

Maurício Gonzaga
Av. Dantas Barreto, em frente ao número 682 (Milet Shake) – São José / Travessa do Falcão, 86 – São José
Telefone: (081) 97906-8741 / (081) 98506-3203

Taberna do Vinil: verdadeiro reduto dos apaixonados por LPs



comment 2 comentários

  1. Espaço que precisa ser valorizado. Diferente do que pensam, ainda existem aqueles que curtem e desejam não só vinis como cds e artigos do gênero. Ótima matéria.

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