3 personagens de rua de Olinda: únicos, misteriosos e solitários

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fotos: Isadora Gibson

Olinda tem um chamariz para figuras muito especiais de características singulares, os personagens da rua. Conhecidos por toda a cidade, são tidos como entidades. Nunca são vistos acompanhados, andam sozinhos cada qual no seu caminho. Cresci observando essas pessoas e sempre as admirei como se estivesse vendo pela primeira ou, quem sabe, a última vez.

A lista dessas celebridades é imensa, mas existem três que me chamam mais atenção: Wellington, Cândido e Simone.

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Wellington

Wellington (foto de capa) é muito bonito, tem porte. Anda de um lado pro outro falando sozinho como se estivesse discutindo com alguém, coisas que às vezes não fazem sentido e, em outros momentos, são geniais. Tem uma voz digna de barítono, vocabulário muito extenso e dono de uma criatividade inigualável. Alguns dias está mais quieto. Dizem que perdeu o juízo depois de uma decepção amorosa.

Cândido

Cândido, é uma figura soturna e silenciosa. Com semblante triste, expressa o que muitos sentem sem conseguir dizer. Magrinho, anda sempre coberto com panos, como se fosse uma cabana portátil. Também conhecido como “O Sombra”, desenha sóis no chão e pelos muros das casas.

foto: Isadora Gibson

Circulam várias histórias sobre a origem dele, uma delas é que era muito apegado à mãe, que trabalhava no Colégio São Bento, e por isso ele tinha uma bolsa de estudos lá. Se destacava em matemática, mas depois do falecimento da mãe, nunca mais foi o mesmo.

Simone

Em Simone, chama atenção uma tatuagem no rosto. Muito braba e zombeteira, sempre que me via já gritava: “Maaaga, me dá um real”. Anda sumida do Sítio Histórico, na última vez que a vi tinha mudado a cor do cabelo e disse que não “colava” mais em Olinda porque estava cheio de “cocó” para o lado dela.

Taxados como loucos, por vezes atraem interações não muito amistosas e até desrespeitosas. Caçoam, ofendem e humilham. Consequências de uma sociedade opressora e excludente.

Com suas sensibilidades, captam frustrações e desencantos de sonhos que já tiveram. Sintetizam a miséria de multidões esquecidas e espalhadas pelo Brasil. São figuras únicas, misteriosas e solitárias. Os três são eternos para mim. E é a eles dedico este textinho. Pra ser doido, tem que ter juízo.

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comment 5 comentários

  1. Wellington, vejo sempre. Já vi gente tratando mal só pelo fato dele resmungar sozinho por aí, vez ou outra. Sou fã e sempre defenderei!
  2. Uma vez encontrei ele lá em boa viagem bem tranquilo, perguntei que faz aqui ele tô dando uma volta vim na casa da minha família. Estava ótimo nesse dia.
  3. KKiki...Acho incrível como fazem reportagem sem pesquisa, o William tô por exemplo foi confundido como ladrão quando autrora tinha um banco 24 hrs no Carmo ,levou um cacete e nunca mais teve saúde...Assim reza a lenda por verdadeiros populares de Olinda gente de verdade que vive e trabalha em Olinda, contrário de criaturas que tentam aparecer e ser o que intelectualmente não é!
  4. Sempre vejo Wellington, gostaria de conversar com ele, de tentar ajudá-lo, mas sempre o encontro alucinado... Às vezes , até arrumadinho, e outras sem camisa, descalço... Parabéns pela matéria.
  5. Excelente! Penso em fazer um documentário só sore essas figuras, parabéns pela matéria.

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