As memórias (ainda) vivas da pequena Praia do L, em Olinda

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Olinda é uma cidade que se fez à beira do mar. A cada 100 metros, a gente encontra uma prainha com um nome diferente – e cada uma com sua história, já não muito limpas há décadas.

A cantora, MC e “picotadeira” Catarina Dee Jah recorda: “Uma época, a revista Fluir fez uma matéria sobre Del Chifre, com uma foto linda do lixo multicolorido na areia e as ondas quebrando. Falava desse caráter de ser uma Dogtown do Nordeste. A gente tinha esse perfume aqui porque era uma cena de hard core, surf, skate e parafina no cabelo”.

Depois da Praia dos Milagres e antes da Praia dos Correios, existe a Praia do L, com acesso apenas por duas viazinhas pequenas. Tem esse nome porque havia mais duas ruas paralelas à Rua Manoel Borba que foram destruídas pelo mar. Erguida até hoje, há um “pedaço” de uma casa, em formato de L – que serve de trampolim.

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Dóris Gibson, 70, moradora desde os primórdios, relata: “Cheguei em 1954 e ainda havia uma rua atrás da minha. Na segunda, existiam apenas as fachadas de grandes casas coloniais, o resto delas tinha sido destruído pelo mar”.

Após a ressaca de 1954, o presidente Juscelino Kubitscheck providenciou um estudo pela Universidade de Grenoble (França) para contenção marítima e veio pessoalmente inaugurar a pedra fundamental da obra do dique.

A construção levou anos e, durante esse período, o dique também foi ponto de socialização. Pelo acesso dos caminhões, as pessoas iam ao píer fazer excursões, namorar e tirar fotos. Depois de concluído, o acesso dos caminhões foi retirado e a praia do L foi aterrada, reconstruída.

(foto: Isadora Gibson)

Suely Melo, 55, conta que “nos anos 80, a gente descia a qualquer hora em qualquer dia e o maior propósito era se bronzear e também paquerar os rapazes. Éramos a geração do bronze, todo mundo na crista da onda”.

Nos anos 90, foram construídos mais dois diques perpendiculares, muito rapidamente e que causaram grande impacto ambiental. Tenho muito viva a memória infantil de um dia acordar e ver o mar coalhado de peixes mortos imediatamente após a construção.

(foto: Isadora Gibson)

Logo depois disso, o mar foi puxando a areia, que foi descendo o nível de terra até aparecerem as pedras embaixo do aterro. Isso dificultou o acesso, e as pessoas foram parando de frequentar a Praia do L. Mas todo ano o mar vem e coloca um pouco de terra até cobrir as pedras. Passa um tempinho e ele vai levando a areia toda de volta.

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