O que Michael Jackson e as Graças têm a ver com o destino de Flavioleta

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Foto: Paula Melo/PorAqui

Apesar do nome, Flavioleta não é uma fada. A contadora de histórias é moradora das Graças, mais precisamente da Rua Esmeraldino Bandeira, e é aí que recebe o PorAqui para uma conversa.

Logo que se entra no apartamento, tem-se a impressão que uma história vai começar a passar diante dos seus olhos a qualquer momento. Nuvens coloridas, livros, baús, desenhos de crianças… O encantamento quase infantil se completa quando Flavioleta, que é puro sorriso, começa a contar sobre sua história – e porque a paranaense de 29 anos escolheu vir morar no Recife. O motivo? Um clipe do Michael Jackson, aquele gravado em Salvador, com o Olodum, em 1996.

Flavioleta, menina, olhou aquilo tudo, aquele calor, aquela energia, e decidiu: tinha que morar no Nordeste quando crescesse. Se decidiu por Recife anos depois, quando teve um namorado paulista apaixonado pela cidade – meio caminho andado, ela se apaixonou também.

Eles terminaram e, meio perdida, sem saber o que fazer, estava assim, como quem espera a banda passar e o que passou foi um maracatu. Sim, um maracatu na Ilha do Mel, no litoral do Paraná. Tem sinal maior que esse? Mais barulhento, pelo menos, não. “Senti que tinha que vir pra Recife”, lembra. E foi assim que reuniu os amigos numa missão: estudar o Recife. Pesquisaram tudo: a música, os nomes de rua… O destino lhe chamava, mas Flavioleta queria fazer isso direito. “Fizemos uma superpesquisa “, relembra.

Não conhecia ninguém quando veio morar aqui, na Boa Vista. Depois de uma passagem rápida por Olinda, sabia apenas que queria morar na Rua do Futuro – gostava do nome, gostava do bairro. “Aqui parece tanto com a minha cidade”, compara as Graças com sua cidadezinha do interior do Paraná.

Andar a pé eu vou

Ela ama o bairro, gosta de explorá-lo, anda a pé. Percebe os muros, as calçadas, as flores. Tem até uma rua preferida, que é a Dona Anunciada, onde admira o trabalho do vizinho Roberto Faria. “Ele cuida daquele muro com muito amor. Uma das coisas que mais gosto de ver são as flores que tem na frente da casa dele. Então sempre passo por ali”, diz. O último Café na Calçada foi nessa rua, lembra?

Gosta também de dar bom dia, boa tarde, boa noite a quem encontrar. “Gosto de cumprimentar todas as pessoas que moram no bairro, porque elas cuidam da gente também. Como a gente está sempre passando por aqui, é bom formar esse vínculo com as pessoas – elas sabem quem eu sou, elas sabem que eu moro por aqui.”

O programa preferido é o Espaço Agroecológico das Graças, que acaba de completar 20 anos. “O lugar que eu mais amo é a feira de orgânicos, que acontece aos sábados. É um lugar que eu vou porque acredito no que eles fazem, eu vou porque gosto de saber que eles cuidam de mim para além da alimentação. Eles sentem falta quando não vou num dia, sabe? Eles ficam nossos amigos.”

No bairro ao lado, gosta de ir no Parque da Jaqueira, observar as árvores, se conectar com o verde. “Se eu ficar muito tempo longe da natureza, eu me afasto daquilo que eu ensino às pessoas. Eu preciso me integrar à natureza para poder falar de arte com qualidade para as crianças, que é isso que eu acredito.”

Spice Girls 

A conversa está para se encerrar, mas ela lembra de algo importante que, imagine só, surgiu enquanto dançava uma música de uma famosa girls band. “Eu descobri que eu  era artista com 6 anos. Eu cantei uma música das Spice Girls e aí senti que dava uma coisa diferente na barriga, então guardei aquela emoção.” Quando adolescente, sentiu, pela primeira vez o amor. “Era a mesma coisa!”, ela viu que tinha algo de muito grandioso ali.

Então ela nos dá seu depoimento sobre o que tem de mais valioso, sua arte:

“Eu sinto que, como artista, eu tenho  a oportunidade de amar não só a uma pessoa, mas de amar todas as pessoas que estão ali ao mesmo tempo. Eu, no palco, posso amar cada uma do seu jeito, e sem precisar conhecer elas.”

E continua:

“Foi um presente eu descobrir isso aqui no bairro, que tem me ensinado tanto o que é ser artista. As Graças respiram arte. As pessoas aqui preservam algo que eu acredito ser a essência do artista, a simplicidade, que é o que mais se aproxima com o divino. A natureza ela nos dá as coisas simples. Em um bairro que não tem árvores, eu não conseguiria fazer isso. Preciso de um bairro com árvores, com pessoas que se comunicam, se cumprimentam, que olham nos olhos.”

 



comment 2 comentários

  1. Que coisa mais lindaaaa!!! <3 Quando Flavioleta passa por aqui, ela vem arrodiada de passarinhos, borboletas e dia claro. Ou vem assim, cheia de mar, ou ainda com um céu estrelado a sua volta. Você mora no meu bairro e no meu coração. Beijão!

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