Andar a pé eu vou, a pé não costumo atrasar

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Arte: Caio Vieira/PorAqui

Segunda-feira sem graça? Agora, no PorAqui, tem Humor de Segunda, com Daniel Barros. Perca seu tempo à vontade! 😉

Se me pedissem para definir o Derby, diria que é um shopping center de farmácias a céu aberto. Por esse motivo, sempre que necessito de algum serviço, “dô-le” pelas Graças, um bairro tão encantador quanto o nome de suas ruas.

Ao longo dos anos, com o agravamento do problema do trânsito da RMR que, assim como o meu bucho, não para de crescer, esse hábito se intensificou. Por outro lado, a criminalidade tá comendo solta, virada “no mói de cuento”. Toda vez que uma moto com dois caras ou um “galeroso” de bicicleta faz um retorno e passa perto de mim, instintivamente penso: “Penetrou o órgão reprodutor de xola!”. Andar a pé virou sinônimo de aventura. Trancaram a gente do lado de dentro.

Grandes dúvidas da humanidade

Desse modo, vi-me numa encruzilhada: chego cedo e sou assaltado na rua ou chego tarde e sou assaltado no carro ou no ônibus? Resolvi ser assaltado a pé, porque a passagem já é um roubo.

Devido a essa opção, descobri que os meros 144 hectares das Graças abrigam, além das onipresentes farmácias (elas estão para o Recife assim como as bicicletas para Amsterdã), laricas (ou aquele café da manhã), praças, arquitetura modernista e ÁRVORES (para quem me lê no futuro, as árvores são, ‘em termos biológicos, plantas permanentemente lenhosas de grande porte, com raízes pivotantes, caule lenhoso do tipo tronco, que forma ramos bem acima do nível do solo e que se estendem até o ápice da raiz’. O Recife era repleto delas. Procurem saber). Nesse sentido, andar pela Rua da Amizade equivale a uma sessão de nostalgia.

Finalizando esta preciosidade de texto (melhor ler isso do que ser cego), recomendo a todas as pessoas que façam o máximo de suas atividades a pé. Saiam de casa, caminhem pelo bairro, arranquem o samboque do dedão nas calçadas, mas evitem fazer deslocamentos curtos de carro (a não ser que você necessite. P.S: remosidade não vale). Comece indo até a padaria. No percurso, veja se você não descobre um comércio local novo, uma lojinha nunca reparada ou um barzinho com clone de birita. Procure saber as histórias e as estórias do seu bairro. Faça amizade com seus vizinhos. Enfim, tome conta do seu espaço antes que tomem conta por você.

Daniel Barros é recifense, formado em Letras pela UFPE. Atualmente mora no Derby, mas é cria da CDU. Come e bebe em demasia. Já tomou muita cerveja no Mercado da Encruzilhada.  Nos intervalos, anda de ônibus. Nesta vida, veio a passeio, mas ficou preso em Abreu e Lima. É conteudista colaborador do PorAqui para desperdiçar seu tempo.

 

 

O conteúdo das colaborações não reflete necessariamente a opinião dos editores do PorAqui.

 



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