Pós-feriadão: ressaca moral se cura com o quê?

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Foto: Jarmoluk/Pixabay

Ressaca é coisa de jovem. Adulto fica doente, pra morrer. Mas, ao contrário do púbere, que promete nunca mais beber depois de uma rebordosa, o adulto se compromete a enfrentar seus medos, a brigar com a bebida para provar que é superior a ela (lutar com as bebidas é a luta mais vã, diria Drummond se bebesse tanto quanto flertava ou morasse próximo ao Mercado da Encruzilhada). Minha atitude é diferente. Eu faço amizade com a bebida. Eu a cortejo, galanteando-a até submetê-la aos meus caprichos. Se funciona? Rapaz, se paquerar é arte, eu sou Romero Britto.

O motivo de falar sobre a ressaca foi a cana tomada no feriado de sete de setembro, no imprensado de oito de setembro, no sábado de nove de setembro e no domingo de dez de setembro. Minha gente, se beber desse dinheiro, meu nome era Geddel Vieira Lima.

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Olhe, esse negócio de “tomar uma” (e de “tirar antes”, “assistir filme lá em casa” e tomar banho de mar em Boa Viagem) não existe. A pessoa que vier com essa pala para cima de mim vai ser chamada de mentirosa no ato. Não conheço criatura alguma que abra apenas uma cerveja, coloque só uma dose uísque ou beba aquela lapada de cana solitária. Faz até mal pra o organismo consumir álcool dessa forma. Causa depressão no fígado. Li numa corrente de whatasapp.

O fato é que bebemos como votamos: sabemos das consequências de nossas escolhas, mas não resistimos às promessas contidas em cada copo/urna. Embriagar-se com juras de políticos é até mais nocivo do que finalizar aquele litro de rum que algum cretino levou maliciosamente para o “surrasco”. Porque ressaca de álcool se cura com “brebote”, dipirona e uma longneck gelada. Agora, ressaca moral se cura com o quê”.

O conteúdo das colaborações não reflete necessariamente a opinião dos editores do PorAqui.

Daniel Barros é recifense, formado em Letras pela UFPE. Atualmente mora no Derby, mas é cria da CDU. Come e bebe em demasia. Já tomou muita cerveja no Mercado da Encruzilhada.  Nos intervalos, anda de ônibus. Nesta vida, veio a passeio, mas ficou preso em Abreu e Lima. É conteudista colaborador do PorAqui para desperdiçar seu tempo.

 

 

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