O pequeno império de Macarrão na Encruzilhada

Whatsapp Facebook Twitter Linkedin Email
Foto: Colaboração/Julio Rebelo

Se o seu destino for a Encruzilhada, na Zona Norte do Recife, então provavelmente você vai cruzar com ele nas ruas do bairro. Geralmente trajando uma camisa do Náutico, bermuda e sandálias, Valdomiro do Nascimento Pereira, 60 anos, é cumprimentado por onde anda.

O nome não é familiar? Não se preocupe, é que o homem ficou mais conhecido pelo apelido: Macarrão.

Vivendo há mais de 30 anos na Encruzilhada, Macarrão é um daqueles personagens que marcam o lugar onde vivem, como é Canibal, no Alto José do Pinho, ou Dona Geralda, no Morro da Conceição. Ele explica que chegou ao bairro a trabalho.

“Sempre trabalhei de garçom, no Centro da cidade. E numa ocasião, vi um anúncio de venda de um fiteiro na Encruzilhada. Comprei o ponto e fiquei até hoje por lá”, explicitando um traço marcante em sua personalidade, o de empreendedor.

Outro personagem da Encruzilhada é Bigode, que tem um sebo no girador do baobá, por trás do Mercado da Encruzilhada.

Foto: Colaboração/Júlio Rebelo

Mas o que fez Macarrão ficar famoso no bairro foi o bar batizado com o seu apelido, localizado no antigo mercado público, na Avenida Beberibe.

“Meu bar virou sucesso porque não tinha porta. Por isso, ele funcionava 24h. Servia desde café da manhã até petiscos e cerveja durante a madrugada. A hora que você chegasse, tinha o que comer ou beber”, afirma orgulhoso. No auge, o Bar do Macarrão vendia 100 grades de cerveja e mil fichas de radiola por semana.

Infelizmente, com a fama veio a violência. Eram comuns os desentendimentos e as brigas no lugar, principalmente durante as madrugadas. “Me entristece bastante ter meu nome associado a confusões. Por isso, agora, meu bar só funciona das 10h às 22h”, justifica Macarrão.

LEIA TAMBÉM:

Amor e afeto se misturam no Reteteu Comida Honesta 

Mercado da Encruzilhada é patrimônio do bairro desde os anos 20

Obstinado em ampliar seu comércio, ele ainda teve outros dois bares, que não obtiveram o mesmo sucesso do primeiro, além do antigo fiteiro. Um deles, ficava em frente ao baobá da Encruzilhada, onde hoje é o Hernandes Bar e chamava atenção por muito tempo uma placa anunciando Heineken de 600 ml por apenas R$ 5,00.

Macarrão não para por aí. “Pretendo, num futuro próximo, abrir um espaço destinado ao público LGBT, com música e ambiente mais reservado”, revela. E assim, de negócio em negócio, aquele homem que não aparenta a idade que tem, vai ampliando sua dinastia na Encruzilhada.

Por isso, da próxima vez que você for ao bairro, não se admire se topar com o dono do pedaço. Você está no pequeno império de Macarrão.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *