Seis histórias que você não sabia sobre a Praça de Casa Forte

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Por Gabriela Belém

Muitos moradores do bairro de Casa Forte desconhecem a origem do nome da região. Desde a época do Brasil-Colônia, o local já conservava casarões que funcionavam como casas-grandes. 

Conheça a verdadeira história e seis curiosidades sobre a origem do nome do bairro e da praça.

(foto: Bobby Fabisak/JC Imagem)

1. "Casa Forte" tem a ver com a invasão holandesa em Pernambuco

A expressão "Casa Forte" provém do conflito ocorrido em 17 de agosto de 1645, entre pernambucanos e holandeses. Casa Forte era o nome do engenho de Anna Paes, uma senhora com ideias avançadas para o século 17, conhecida por sua liberdade de pensamento e coragem pessoal. 

O local foi um dos últimos redutos da resistência flamenga, quando ocorreu a Insurreição Pernambucana.

A casa-grande passou a ser conhecida como Casa Forte, nome estendido a toda a propriedade. As casas do engenho, por sua vez, situavam-se em uma grande praça, chamada Campina de Casa Forte.

2. A praça nasceu da bravura das senhoras de engenho

Após ter sido derrotado nas Batalhas das Tabocas, em Vitória de Santo Antão, o exército holandês, comandado por H. van Hauss, foi para Casa Forte com o objetivo de fazer sua trincheira. Mas as senhoras chefes revolucionárias reagiram e resistiram à ocupação. 

Destacaram-se na luta: Ana Bezerra, Isabel de Góis e Maria Luíza de Oliveira. Cercados pelo exército pernambucano, comandado pelo sargento-mor Antônio Dias Cardoso, os invasores fugiram para o Forte de Cinco Pontas.

Os primórdios da Praça de Casa Forte (foto: Trilhas do Recife/Facebook)

3. É o primeiro projeto de jardim público de Burle Marx

O projeto da Praça de Casa Forte foi idealizado pelo paisagista Roberto Burle Marx, em 1934. Inaugurado em 1935, é o primeiro projeto de jardim público assinado por ele. 

O paisagista desenhou a área de lazer com três jardins, usando espécies da flora brasileira e da região da Amazônia, além de plantas exóticas.

Filho de uma pernambucana com um alemão, Burle Marx nasceu em São Paulo e trabalhou no Recife de 1934 a 1937, como diretor de Parques e Jardins do governo de Pernambuco. Quando chegou, atendendo a convite do governador Carlos de Lima Cavalcanti, tinha apenas 25 anos.

Cultivador de plantas e estudioso da botânica, Burle Marx foi também pintor, tapeceiro, escultor, ceramista e designer. Morreu no Rio de Janeiro, onde passou a maior parte da vida, e é conhecido como um dos mais importantes arquitetos paisagistas do século 20.

4. Esteve na vanguarda da preocupação ambiental

(foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)

Ao conceber um espaço livre e público, inserido dentro da malha urbana, o projeto de Burle Marx (todo feito em bico de pena) ressaltava não apenas o aspecto paisagístico, criando cenários de rara beleza, mas também a questão ecológico-ambiental.

5. Figuras da política pernambucana habitaram a praça 

Na praça, residiram figuras ilustres como o líder político pernambucano Oswaldo Lima, bastante influente no governo de Agamenon Magalhães. 

Também morou no mesmo local um dos seus filhos, Oswaldo Lima Filho,  ex-deputado federal e ministro da Agricultura no governo João Goulart.

6. Foi classificada como jardim histórico em 2016

(foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem)

Quinze praças públicas projetadas ou reformadas pelo paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) no Recife receberam da prefeitura a classificação de jardim histórico em 2016, entre elas a Praça de Casa Forte. 

Na prática, isso significa que as áreas verdes estão protegidas por lei e qualquer intervenção nesses locais depende de autorização prévia.


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Sugestões e colaborações: casaforte@poraqui.news

comment 8 comentários

  1. Muito bom esse resgate da história da praça de Casa Forte, Gabriela. Faz parte da minha infância, pois, nasci e permaneci até os 9 anos de idade em Casa Amarela e estudei na Escola Padre Donino da família Costa Lima.

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