Conheça a história de Jairo, figura carimbada das ruas do Poço da Panela

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Quem anda pelo Poço da Panela, na Zona Norte do Recife, já deve ter se deparado com um homem de cabelo branco, sem camisa, perambulando descalço pelas ruas do bairro. Às vezes acompanhado de um cachorro, às vezes com sacos de pesca embaixo do braço, Jairo Viana Cunha já se tornou parte do cotidiano do Poço, onde vive desde 1973, quando veio de um colégio interno em Garanhuns, aos 11 anos de idade.

Na época, Jairo passou a morar com a tia na casa da escritora Luzilá Gonçalves, onde a tia trabalhava. Os anos foram passando e o garoto deixou os estudos pra viver de traquinagem pelo bairro. “Eu mesmo me entreguei ao relaxamento, inventei de seguir os passos dos outros e o que era mais importante acabei deixando de lado”, reconhece.  Hoje com 56 anos,  Jairo é confundido quase sempre com um pescador, tamanha é sua integração com o habitat natural do Poço. 

Foto: Marina Suassuna/PorAqui

Há quem se assuste quando ele surge repentinamente dos lugares mais inesperados. Seja de trás de uma árvore ou mesmo da beira do Rio Capibaribe, onde costuma pescar a pedido de alguém. Aliás, de peixe e de passarinho, Jairo entende como ninguém. É capaz de passar horas falando das particularidades de cada espécies. Assim como de plantas.

A gentileza com que trata aqueles que se aproximam é uma de suas características marcantes. Prestativo, está sempre disponível para ajudar ou dar uma informação a quem precisar. Tem resposta pra tudo na ponta da língua. Ele mora num quartinho no bar de Seu Chico, onde também ajuda na limpeza. “Varro isso aqui todo dia”, diz ele, que também ocupa seus dias passeando com o cachorro do vizinho, Seu Maciel. 

Foto: Marina Suassuna/PorAqui

Quando perguntado se já casou ou teve filho, ele arremata: “Vivendo como eu vivo, ninguém jamais vai se interessar por um cara como eu. O que faz o ser humano se engraçar por alguém é você ter um berço.” A mãe faleceu quando ele ainda era pequeno e o pai, um ex-oficial da marinha, era alcoólatra e o abandonou.

Embora descrente e desapegado, guarda uma sensibilidade ímpar pras coisas mais simples. Quando questionado sobre o que considera mais importante na vida, ele responde: “Nada mais. Só a natureza que me segura um pouco.”

 



comment 1 comentário

  1. Desde que li essa matéria espero ser surpreendida pelo seu Jairo para ouvir suas histórias. Infelizmente isso ainda não aconteceu, mas guardo seu belo relato na memória. Obrigada!

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