Expressinho do Pina: O time de futebol amador que deu trabalho aos profissionais

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Passar a vida toda disputando torneios amadores até que um dia conquista o título da segunda divisão do Campeonato Pernambucano e não pode jogar na elite do futebol estadual. Essa é a história do Expressinho do Pina, que marcou época no bairro, revelando atletas para equipes profissionais.

Fundado em 1961, o time de bairro coleciona jogadores exportados e feitos contra cubes grandes do Estado. “Só não conseguimos vencer o Sport. Nunca tivemos sorte contra eles. Mas já vencemos o Náutico e o Santa Cruz várias vezes”, recorda um de seus fundadores, Everaldo de Almeida.

“Teve um jogo no Arruda contra o Santa Cruz dos anos 1970 que o primeiro tempo foi 3×0, aí o técnico Duque, do Santa, mandou tirar o time de campo”, conta.

3 lugares para jogar futebol no Pina e em Boa Viagem

Por jogar no Expressinho, os jogadores – em sua maioria moradores do Pina e de Brasília Teimosa – não recebiam salários, mas quem sofria alguma lesão não ficava desamparado. “Os jogadores gostavam de jogar no Expressinho. Nós revelamos Duarte, que foi para o Íbis, depois teve Fabinho e Jorge Bonga, que foram para o Sport”, afirma Everaldo. “O Expressinho mandou jogador para Belém, Alagoas, Sergipe e até Portugal”, completa.

A estrutura era financiada através de festas. “Teve um tempo que fazíamos matinê cobrando dois tijolos como entrada. Quem não gostou foram os donos de armazém, porque os meninos pegavam os tijolos que ficavam expostos na calçada”, relembra Everaldo, falando do período de construção da sede, na Rua 12 de Julho, no Bode.

O maior título foi conquistado em 1993. A final da Segunda Divisão do Campeonato Pernambucano ocorreu no campo do Derby, em frente ao quartel da Polícia Militar, e Everaldo era o técnico. “No primeiro tempo, nós fizemos 1×0. No intervalo, o técnico do Bonsucesso chamou o radialista Amaral Dutra e mandou me dizer que eles iam fazer dois gols. Eu respondi que, se eles fizessem dois, nós faríamos três”, afirma.

O jogo terminou 4×2 para o Expressinho, que conseguiu a vaga na Primeira Divisão do Estadual de 1994. Porém o presidente da época, Eraldo de Almeida – irmão de Everaldo – abdicou da vaga por falta de dinheiro e estrutura para se profissionalizar.

O Expressinho mandava seus jogos no antigo Campo do Pina, na localidade onde hoje há um conjunto habitacional. “Naquela época, tinha mais times no bairro. Tinha o Pina, o Combinado, 11 da Paz, Arcos, Corinthians, San Telmo, Colônia e outros. Mas o Expressinho era quem mais se destacava”, conta Everaldo. Atualmente, existe apenas o Pina, mas sem o time adulto.10

Everaldo lamenta a extinção dos times não só do Pina, mas também de outros bairros e cita o fim dos campos de pelada. “Acabou-se o futebol de bairro. Acabaram com os campos, aí acabaram com os times. Os jovens hoje não têm onde jogar, praticar um esporte”, encerra.

comment 8 comentários

  1. Bom Dia! Meu nome é Evaldo mais conhecido no pina como vadinho careta fui jogador do expressinho no tempo que meu irmão Heraldo era o técnico, inclusive sai em jornais mais não tenho nada a respeito, quem puder me ajudar em enviar pra mim eu agradeço pois meu irmão não esta mais conosco.Grande abraço!

  2. Parabéns por essa reportagem mostrando a geração atual o quanto o Futebol de Bairros formavam Craques, Craques mesmo, sem dinheiro e muito Amor. Nascido e criado no Bairro de São José, onde tivemos os Clubes Dom Vital, Santa Rita e o Associação Atlética São José que também formaram Craques, posso dizer por testemunhar esse momento da vida esportiva pernambucana que o Expressinho juntamente com tantos outros Clubes de Subúrbio tornou o Futebol uma alegria para os olhos. Aproveito para lembrar o Elmo, Botafogo da Estância, Arte da Torre e tantos outros Clubes que no crescimento desumano do Recife foram esquecidos pela História Desportiva ! Parabéns por essa Reportagem, vocês reviveram um pedaço glorioso do Desporto Pernambucano, hoje, vendo nosso Futebol com os 3 Grandes Clubes jogando futebol de 5a. categoria. Para ue vocês tenham uma ideia vou citar alguns Grande Jogadores saídos do Futebol Suburbano, Nenzinho que foi Campeão Brasileiro pelo Bahia, Pedro Abacaxi que jogou no Sport e Central, Coelhinho (Antonio Carneiro) , Bonga e Marcos que jogaram no Sport, Leduar que jogou pelo Sport e foi criado lá no Pina e juntamente com Alemão, também originário do Pina foram Campeões pelo Sport. Minha Homenagem a vocês por tão bela Reportagem, sugerindo que vasculhem nos Bairros do Recife por onde andam Ex-Atletas dos Clubes Suburbanos. Dei uma viagem no Recife de outrora…VIVA O FUTEBOL DOS BAIRROS PERNAMBUCANOS !!!!!

  3. Essa é uma boa lembrança que eu estou tendo pois eu fui um dos jogadores do expressivo do Pina se é que pode chamar jogador pois ninguém dava valor meu nome é lenilson joguei 1979 à 1989 nós gostava de jogar porque Eraldo cavalcante era o segundo pai para nós como pessoa e técnico por ele todo mundo tinha de jogar nada mais um grande abraço para todos e os mais chegados um beijo no coração fiquem com Deus

  4. Eu sou de Brasilia Teimosa quando era no domingo eu ia com Sr.Geraldo que era pai de Everaldo e Givaldo ver o time joga, era só alegria ver o Expressinho do Pina na quele campo quer não tinha muita grama e os jogadores davam show de bola e carinha pelo o time. muito obrigado pela reportagem eu viver essa historia.

  5. Eu lamento profundamente a extinção dos times de bairros. Eu morei muitos anos no interior e também fui jogador do time principal da cidade (Lajedo – no Agreste). E ouvi falar nesse glorioso time do Pina, assim como o Vovozinha é o Onze de Santo Amaro. Mas a falta de visão dos governantes destruíram esses tesouros formadores de atletas e cidadãos. Os esportes são os maiores meios capazes de evitar a degradação e oferecer possibilidades de conquistas individuais e coletivas. Destruíram os campos de várzea e juntamente os sonhos de muitos craques, e a alegria de milhares de pessoas. É o pior é que continuam reduzindo os espaços usados para a prática do futebol (Quadras e Campos), é a meninada enveredando por caminhos tortuosos. Eu comecei nas quadras, campinhos e depois na Escolinha de futebol. E me ajudou bastante, físico, moral e intelectualmente. Fiz muitas amizades.
    Parabéns pela iniciativa da matéria histórica e relevante.

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