Paraíso ameaçado: eventos com som alto perturbam tranquilidade de Aldeia

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Apesar de ser uma Área de Proteção Ambiental e refúgio de pessoas que procuram um lugar tranquilo para viver, Aldeia, há um bom tempo, vem sofrendo com um problema grave que não condiz com o estilo de vida que se espera de uma unidade de conservação: a perturbação do sossego.

Ou, noutras palavras, o excesso de barulho produzido por festas e eventos, cada dia mais comuns por aqui.

Com a instalação de casas de eventos e a chegada de mais e mais moradores, muitos deles sem preocupação com a vizinhança – humana ou animal –, multiplicam-se as reclamações feitas aos órgãos competentes. E com a chegada do fim do ano, alguns moradores já preveem mais aborrecimento. Isso porque, dizem, os órgãos que deveriam coibir o barulho e a intranquilidade da comunidade são ineficientes.

Atitudes ecológicas: é possível praticá-las no dia a dia

Marcus Dantas, auditor fiscal e morador – há 24 anos – do km 4,5, diz que uma prática que vem se tornando muito comum em Aldeia é o aluguel de casas residenciais para festas que algumas vezes duram o fim de semana inteiro. Na rua dele, a Humberto Teixeira, por exemplo, há anos uma casa é alugada para a realização de festas que, quase sempre, causam transtornos como barulho excessivo, baderna, estacionamento em local indevido e lixo deixado pela rua.

“O absurdo é que as autoridades não fazem nada. Até abaixo-assinado já fizemos aqui na rua porque os moradores estão há anos sofrendo com um mesmo imóvel que promove festas barulhentas e a Prefeitura de Camaragibe é omissa, não faz nada a respeito”, critica Marcus.

Segundo ele, há pelo menos cinco anos o sossego se acabou na rua, quando a família que ocupava o tal imóvel viajou e deixou a casa para ser alugada nos fins de semana. Ele conta que as poucas vezes que a polícia atendeu aos chamados dos moradores (pelo 190), foi com a intervenção de um major integrante do grupo Comunidade Conectada, e, mesmo assim, não resolveu o problema.

“Minha sugestão é que se crie uma força-tarefa para reprimir esse tipo de perturbação que, tenho certeza, agride todo o ecossistema de Aldeia. O abaixo-assinado foi entregue ao comando do 20 BPM, mas nada foi feito até agora”, queixa-se.

No abaixo-assinado, inclusive, é citado o Plano Diretor do município, que prevê o controle do uso e ocupação do solo de forma a evitar esse tipo de distúrbio.

Denunciar, denunciar e denunciar

De acordo com Hibernon Souza Cruz, do Fórum Socioambiental de Aldeia, o problema vem acontecendo em vários pontos de Aldeia, provocado tanto por casas de eventos como por casas de particulares. O Fórum, segundo ele, lamenta que o problema continue sendo “arrastado com a barriga” pelos poderes competentes, que já foram contactados diversas vezes.

“O que acontece é que diante de outros casos, as reclamações de perturbação do sossego entram como de baixa prioridade no atendimento das viaturas da polícia. A experiência mostra que quanto mais reclamações forem feitas, maior a chance da denúncia ser atendida. Então, o melhor é que todos os vizinhos liguem para o 190 pedindo a presença da polícia. Outra dica é ligar  também para o Comando da Polícia pelo número 99488 5730”, diz.

A Prefeitura de Camaragibe alega que não dispõe de equipes trabalhando em regime de plantão nos fins de semana, que é quando ocorre o maior número de eventos.

“Se recebemos a denúncia com antecedência, de um evento que vai haver, montamos uma operação e vamos até lá para atuar. Ou o cidadão pode fazer sua reclamação durante a semana e montamos uma operação corretiva para ver se coincide de haver perturbação naquele dia. Quando o evento já está acontecendo e é no fim de semana, o aconselhável mesmo é ligar para o 190, pois a polícia tem a equipe de prontidão e vai tentar sanar a questão”, orienta o secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Camaragibe, Paulo Willton.

A perturbação do sossego não é exclusividade de Aldeia. É um problema tão sério que já aparece como o segundo maior em número de reclamações recebidas pelo Disque Denúncia de Pernambuco – atrás apenas do tráfico de drogas – e levou o Ministério Público estadual a produzir uma cartilha, alguns anos atrás, orientando os cidadãos sobre como agir e a quem recorrer, visto que muitas vezes um caso que pode se resolver de forma simples termina resultando num crime grave e até fatal.

A quem recorrer

Plantão da Polícia 190
Comando do 20 Batalhão da Polícia Militar – (081) 99488 5730
Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente de Camaragibe – 2129 9575 (Prédio da Prefeitura de Camaragibe – Av. Dr. Belmínio Correia, 2340 – Timbi, sala 7).

 



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