Moradores de Aldeia estão assustados com a violência

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Não à violência

Na noite da última quinta-feira, 8/6, dois amigos foram baleados durante uma tentativa de assalto quando trafegavam de moto na altura do km 13 da Estrada de Aldeia. Os jovens foram abordados por quatro homens, também em motos, que já chegaram atirando. Apesar de terem sido atingidos, os rapazes já estão bem e os bandidos ainda estão sendo procurados.

Naquela noite, depois que a notícia da tentativa de assalto circulou pelas redes sociais de Aldeia, muitas pessoas se mostraram apavoradas com a insegurança na região, várias delas contaram casos de assaltos que sofreram ou de que tomaram conhecimento, e algumas delas chegaram a declarar o desejo de sair de Aldeia.

Ana Carolina Thorpe
Ana Carolina tem muito medo de sair de casa

“Tenho três vizinhos que foram assaltados em pouco tempo, sendo que uma família chegou a ficar presa como refém dentro da própria casa, aqui bem perto de mim”, conta a empresária Ana Carolina Thorpe de Andrade, 31 anos, moradora de um pequeno condomínio no km 14, que está decidida a ir embora de Aldeia. “Estamos procurando casa no Recife, não aguentamos mais tanta tensão”, desabafa.

Ana Carolina diz que escolheu morar Aldeia, há três anos, pela tranquilidade, achando que seria um bom lugar para criar os filhos. Acontece que, de tão assustada, ela hoje não sai mais de casa à noite. “Até para levar meu filho ao fonoaudiólogo, no fim da tarde, vou morrendo de medo, achando que alguma coisa pode acontecer. É porque ouço muitos relatos de assaltos por aqui e constantemente escuto alarmes de carros disparando na minha rua”.

Na Estrada da Mumbeca, a enfermeira Ivana Dutra Barbosa, 36, só sai de casa levando uma pequena bolsa com o cartão do banco e os documentos. Ela diz que todo cuidado é pouco, porque o policiamento caiu muito e a quantidade de assaltos é enorme. Ela própria foi vítima de uma emboscada em 2010, quando voltada para casa à noite, grávida e sozinha.

“Só depois percebi que eu já estava sendo seguida pelo Pálio LX prateado que me cortou e me trancou. Saltou do carro um homem muito bem vestido, louro e segurando uma arma voltada para baixo. Havia outro homem no banco do motorista, moreno e de cavanhaque. O assaltando me mandou saltar do carro e foi embora com tudo meu dentro”, lembra ela, que foi andando até a Estrada de Aldeia até um telefone público de onde ligou para o marido.

“A gente anda aqui com muito medo. Os moradores do condomínio Flor do Araçá, que fica bem perto da minha granja, criaram um grupo no WhatsApp, bancaram a iluminação de parte da estrada e estão se cotizando para instalar uma câmera de segurança aqui. Está muito perigoso mesmo”, lamenta.

Já em Casa Nova, conjunto habitacional perto do Rachão, no km 10, a situação é ainda mais complicada. Os assaltos são muito frequentes e ainda há o problema do tráfico de drogas que atrai bandidagem de diversas outras áreas.

“Faz duas semanas que fui assaltado na porta de casa às três horas da tarde”, relata o instalador de sistemas elétricos Daniel de Araújo Aciole, 47 anos. “Eram quatro homens armados num gol preto e eles estavam abordando uma amiga minha que ia chegando quando me viram sair e um deles partiu pra cima de mim. Levaram minha carteira com R$ 500 e o carro da minha amiga. Depois disso passei uma semana sem conseguir sair de casa e ainda estou traumatizado, pensando seriamente em me mudar daqui”.

Segundo Daniel, na última quinta-feira pelo menos duas motos foram roubadas num arrastão que foi praticado no Vera Cruz por volta das 19h30. Ele afirma que não há iluminação e muito menos policiamento naquela área, conhecida por todos pela alta criminalidade.

Daniel Aciole
Daniel Aciole diz que está traumatizado

A estudante Mirely Martins da Silva, 18 anos, já foi vítima de cinco assaltos a mão armada. “Fui assaltada às 7 da manhã indo para a escola, fui assaltada na parada de ônibus, dentro ônibus, andando de moto e a pé”, enumera. Todas as vezes estava na localidade onde mora, entre o Vera Cruz e o Rachão. “Agora só saio de casa levando a chave e o vale transporte”, diz, conformada, “se levar mais alguma coisa, vou voltar sem nada mesmo!”.

O que dizem os órgãos de segurança

Com um efetivo bastante reduzido, o novo comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar, que cobre os municípios de Camaragibe e São Lourenço, coronel De Lima, informa que por mais grave que esteja a situação, os esforços das autoridades estão gerando resultados. O número de homicídios na área coberta por ele, por exemplo, teve uma redução de 42% entre os meses de abril e maio, caindo de 19 para 11.

“O Governo do Estado está ciente das nossas dificuldades, de que trabalhamos hoje com apenas 140 homens para toda a área do 20º Batalhão, e por isso já há uma previsão de recebermos mais 60 policiais e 25 recrutas daqui para agosto”, anuncia. Segundo o comandante, existem duas viaturas circulando na região de Aldeia (incluindo Jardim Primavera e Tabatinga) e mais uma em Chã de Cruz (Paudalho).

Para o secretário de Segurança Pública de Camaragibe, Daniel Meira, como os recursos são poucos, a inteligência tem sido priorizada. Por isso, diz ele, a Guarda Municipal da Prefeitura tem se aproximado da população no sentido de conhecer melhor os pontos de maior risco e ter mais condições de planejar estratégias.

Ele lembra que a atribuição da segurança é federal e estadual, mas diante do aumento da violência, o município de Camaragibe tem tomado diversas medidas para apoiar o trabalho das polícias. Segundo ele, o prefeito Demóstenes Meira até já solicitou à Polícia Federal um convênio que permita o armamento da Guarda Municipal para que o município tenha condições de atuar também repressivamente.

“Estamos investindo ainda, e com bastante afinco, no videomonitoramento de todo o município. Em Aldeia, estamos lançando no Vera Cruz um modelo de combate ao crime em que os comerciantes financiam as câmeras e as imagens são enviadas para a nossa central de monitoramento, onde temos 40 homens se revezando diuturnamente”, informa.

Comandante do 20º Batalhão
O comandante do 20º Batalhão otimista com a chegada de reforços
Daniel Meira
Daniel Meira, secretário de Segurança Pública de Camaragibe

Outra iniciativa importante, segundo Daniel Meira, é a instalação de Núcleos Integrados de Segurança Comunitária (Niscs). No próximo dia 17/6 será lançado o primeiro Nisc, em Tabatinga, que vai funcionar com policiais civis, militares e guardas municipais monitorando 16 câmeras instaladas nas principais vias e prédios públicos. Até julho, ainda de acordo com o secretário, outro desses núcleos estará funcionando no km 5 da Estrada de Aldeia (próximo à granja Monte das Oliveiras), e ali será feito um patrulhamento ostensivo diário. “Todo veículo que passar por ali depois das 23h será parado e inspecionado”, garante.

Uma última informação repassada pelo secretário de Segurança foi de que ainda neste mês de junho será lançado o programa Camaragibe da Paz, que será um “guarda-chuva” de outros programas visando diminuir a violência no município e, consequentemente, em Aldeia. Serão ações de mobilização da comunidade em torno de uma cultura de paz, capinação de ruas, recuperação de calçadas, iluminação pública e implantação de equipamentos esportivos. “Temos que unir poder público, comerciantes e toda a sociedade. Só assim conseguiremos avançar no combate ao crime e construir um lugar tranquilo para morarmos”, diz.



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