As florestas nossas de cada dia

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Cada ser humano que habita a biosfera terrestre neste início de terceiro milênio vive um momento crucial da História da nossa espécie. As mudanças climáticas atingem a nós todos com força total traduzida por fenômenos naturais relacionados com o aumento da temperatura global.

Tanto crentes como descrentes de que isto é decorrência direta da ação humana sofrem por igual consequências como o derretimento das calotas polares e o aumento dos níveis dos oceanos, o assustador poder das tempestades no Oceano Atlântico e a exacerbação das secas e enchentes, que têm ocorrido com intensidade nunca antes vistas.

Na tentativa de coordenar algum tipo de ação, os líderes mundiais buscam discutir junto com os cientistas as formas de enfrentamento desses problemas nas reuniões dos Painéis Intergovernamentais Climáticos.

Moradores de Aldeia dão exemplo de amor à natureza reflorestando condomínio

Todos sabemos o papel que a conservação das florestas possui na atenuação desses problemas. Temos hoje unanimemente a certeza de que a manutenção da cobertura vegetal propicia o caminho mais seguro para a prevenção e mitigação destes graves cataclismos.

Manter e conservar as árvores deveria ser, portanto, a prioridade número um para cada cidadão, e ajudar a recuperar o que já foi suprimido deveria ser parte do cotidiano no dia a dia das empresas, dos gestores públicos e de toda a sociedade civil.

Área preservada em Aldeia: exemplo a ser louvado e seguido
Mata preservada em Aldeia: exemplo a ser louvado e seguido

Amor para a vida toda

Nosso convívio com os benefícios proporcionados pelas árvores se inicia ainda no ventre materno através dos alimentos e da água e oxigênio absorvidos pela nossa mãe. E prossegue após o nascimento desde o berço, confeccionado – salvo raras exceções – com a madeira de uma árvore. E permanece ao longo da nossa vida até o dia em que nos despedimos de nossa jornada envoltos em uma urna funerária também feita com a madeira de uma árvore.

Se olharmos em volta da nossa mobília doméstica, poucas coisas em nossa vida são tão presentes quanto a dependência que possuímos destes seres verdes silenciosos.

Dependemos das árvores para respirar, para obter água, para nos alimentar, para curar nossas enfermidades, para a conservação do solo, para a estabilização do clima, e o amortecimento do ruído. Além disso, são as árvores que embelezam nosso ambiente e permitem nosso bem-estar e dos demais seres vivos que juntos compartilham conosco este lindo planeta.

Já notaram que ao contemplarmos uma árvore ela nunca nos dá as costas? De qualquer ângulo que a observemos ela sempre estará de frente, voltada para nós, de braços abertos nos oferecendo sombra, flores e frutos!

Exército guarda tesouro ambiental em Aldeia

Nunca será demais lembrar que nosso país tem na “certidão de batismo” o nome de uma árvore, a Caesalphina echinata, ibirapitanga ou, como preferiam os portugueses, o pau-brasil.

Quanto mais os cientistas investigam, mais descobrem novas e impactantes revelações sobre as árvores, como a maravilhosa descoberta de que estes seres vivos se comunicam através de suas raízes, que formam intricadas conexões similares aos nossos neurônios.

Foi o que descobriu o especialista em fungos Paul Stamets, segundo quem essa rede é uma “internet natural” do planeta Terra.

A tese de Stamets é que a rede de raízes coloca em contato plantas que estão muito distantes de si e não apenas as que estão próximas. Ele traça um paralelo com o filme Avatar, de 2009, em que vários organismos em uma lua conseguem se comunicar e dividir recursos graças a uma espécie de ligação eletroquímica entre as raízes das árvores.

Recentemente outro, pesquisador brasileiro, José Marenga do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) – órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) –, trouxe à tona para todos nós uma informação extasiante: uma única árvore que possua uma copa de 20 metros de diâmetro transpira algo como 1.000 litros de água por dia para a atmosfera.

Tal revelação vem colaborar para dar base científica ao que nossos antepassados já afirmavam através da tradição oral que compõe o saber empírico dos povos tradicionais, de que as árvores produzem chuva.

Aldeia e a Mata Atlântica

Quem, como eu, mora na região de Aldeia, sabe bem como a conservação dos remanescentes da Mata Atlântica impactam positivamente na nossa qualidade de vida.

Ao subirmos o tabuleiro costeiro onde nosso bairro se espraia, sentimos na pele e no ar a temperatura mais amena (em média dois graus a menos) se comparada com as áreas densamente povoadas da RMR. Sem falar na primazia de contemplar em nossos quintais pássaros, mamíferos, répteis e tantos outros seres vivos em uma harmonia bucólica e quase utópica.

O desafio, portanto, será manter este patrimônio genético para as atuais e principalmente para as futuras gerações.

Resta a cada um de nós adotar uma postura racional e lógica, para assegurar a nossa própria sobrevivência, de plantar para cada um dos mais de sete bilhões de seres humanos existentes, uma árvore que o represente como tributo a tudo que de maravilhoso estes seres vivos nos fornecem gratuitamente.

Nosso colaborador Célio Muniz é morador de Aldeia desde 2006, consultor ambiental e diretor de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Camaragibe

(O conteúdo das colaborações não reflete necessariamente a opinião do PorAqui)



comment 3 comentários

  1. Nós como seres humanos brasileiros devemos proteger nossas florestas pois segundo um didato somos os pulmões do mundo, o Aquecimento global é uma realidade que devemos acatar. E os governos principalmente.
  2. Excelente a opinião de Célio Muniz voltada à conservação desta região de Aldeia como importante reduto da natureza. Copio esta frase dele: "O desafio, portanto, será manter este patrimônio genético para as atuais e principalmente para as futuras gerações.". Não vamos só bater palmas, façamos alguma coisa já.

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