Hoje ponto de encontro, gameleira do Espinheiro tombou no inverno de 1989

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Você sabia que, em se tratando de uma espécie que chega a viver mais de um século, a gameleira da esquina das ruas Conselheiro Portela e Padre Silvino Guedes, no Espinheiro, Zona Norte do Recife, é apenas uma jovem? Em 1989, em um inverno como o que vivemos em 2017, a árvore que fazia sombra ao lado da igreja tombou.

Seria o fim de uma história de resistência, mas toda uma mobilização social fez com que uma muda da própria árvore morta fosse replantada no mesmo lugar no dia 20 de outubro de 1989. O replantio, com mais de 70 participantes e direito a banda tocando o frevo Voltei Recife, de Antônio Maria, foi em clima de festa.  A muda, com 20 cm, foi feita a partir do tronco da árvore que tombou.

Hoje o local é ponto de encontro da galera jovem da Gamelera Storm. Periodicamente, a turma de 20 e poucos anos se reúne com cooler cheio de cerveja, som, cadeiras e, claro, a sombra preciosa da gameleira, que perdeu o i e ganhou um storm , tempestade em inglês.

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Os irmãos Thiago e Tulio Couceiro se juntam a Ráian Andrade no Gamelera Storm
Os irmãos Thiago e Tulio Couceiro se juntam a Ráian Andrade no Gamelera Storm (Foto: Paula Melo/PorAqui)

Resistência

Símbolo de resistência ambiental na década de 80, a gameleira do bairro do Espinheiro é filha de outra árvore histórica. A árvore original já havia sido bravamente defendida.

Em reportagem para o Jornal do Commercio, o engenheiro agrônomo Osvaldo Martins de Souza, morador do bairro, contava em 2001 que “o jornalista Mário Melo, que morava na Rua do Hora, certa vez defendeu a árvore, com um revólver em punho, de um grupo de garis da prefeitura que queria derrubá-la para liberar a rua”, lembrava.

Aparentemente, árvore original ainda era maior do que a que foi plantada em 1989 (Foto: Colaboração/Inalda Baptista)

Em 1989, o JC lançou uma campanha intitulada Ver de Novo, que culminou no replantio da gameleira, com a presença de autoridades, representantes do jornal, estudantes e moradores do bairro. A árvore, fincada literalmente no meio da rua, depois de resistir à expansão urbana e sobreviver a um temporal, dá uma bela sombra para comerciantes ambulantes e moradores de todas as idades.

Hoje adultos, crianças brincaram após queda da gameleira (Foto: Colaboração/Inalda Baptista)

Você conhece uma história de uma planta querida do seu bairro? Comente aqui ou envia sua história para colabore@poraqui.news.

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