Espetáculo da natureza é protegido por lei na Tamarineira

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Foto: Pinterest

“Eu tenho lã de barriguda para travesseiro!” O refrão dos ambulantes, comum em um passado que o Recife já quase esqueceu, faz bastante sentido para quem passa neste período do ano pela rua Sebastião Alves, na Tamarineira. Nas calçadas, por mais que se varra, se espalha um belo tapete branco. No céu, tufos de algodão flutuam, como se fossem pedacinhos desgarrados de nuvens. Só a árvore que produz esse espetáculo consegue ser mais bonita que a dança desses pequenos flocos.

Ela, a paineira, também conhecida como sumaúma, barriguda e árvore de lã, se ergue majestosa com seus vinte metros de altura, fazendo os transeuntes erguerem instantaneamente seus olhares para o alto. O espetáculo marca a época de frutificação da espécie e, para quem se permite enxergar, é um lindo exemplo de poesia cotidiana.

Hoje ponto de encontro, gameleira do Espinheiro tombou no inverno de 1989

Foto: Mariana Mesquita

Não é difícil encontrá-la: basta ir próximo ao ponto em que a rua Sebastião Alves se bifurca, na praça Melvin Jones. A árvore está em frente ao número 220, correspondente ao edifício Príncipe de Orange – no momento, com sua parte inferior meio escondida por um tapume de construção.

Para os que temem pela segurança da paineira (em tempos de podas controversas como a que eliminou, no último mês de agosto, um belíssimo exemplar de fícus na rua da Aurora, no centro da cidade), é um alívio descobrir que se trata de umas das 49 árvores recifenses protegidas por lei municipal.

Foto: Mariana Mesquita

Poucos sabem, mas é possível tombar árvores, a fim de preservar exemplares significativos por sua localização, beleza, raridade ou condição de produtor de sementes. De acordo com a Diretoria de Políticas Ambientais da Secretaria de Meio Ambiente do Recife, todo cidadão pode indicar espécimes para tombamento, encaminhando solicitação à Prefeitura. Caso obtenha parecer técnico favorável, a árvore é então declarada patrimônio ambiental, devendo receber proteção tanto por parte do governo, como da sociedade em geral.

Assim, a existência da barriguda da Tamarineira está garantida – mas sua florada só acontece uma vez por ano. Reserve cinco minutos para ir apreciá-la. Se hoje não se fabricam mais travesseiros com sua fibra sedosa, a visão imponente e serena vai lhe fazer sonhar acordado.

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