Casa de Capiba no Espinheiro será desapropriada pelo Governo do Estado

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Foto: Eduardo Amorim/PorAqui

Após reportagem do PorAqui mostrar que casa estava disponível e vídeo publicado nas redes sociais pelo comunicador Geraldo Freire denunciar o descaso com a preservação cultural e patrimonial do Estado, o governador Paulo Câmara resolveu desapropriar a antiga Casa de Capiba no Espinheiro.

O imóvel foi residência do músico por 37 anos e foi herdado pela viúva Maria José Barbosa, conhecida como Dona Zezita. Após a morte do marido, ela foi embora para Surubim, no Agreste, terra de Capiba, e deixou a casa alugada por 10 anos para a TGI, empresa de consultoria.

O primeiro passo para a desapropriação deve ser uma avaliação. Para o tombamento da casa de número 369 da Rua Barão de Itamaracá, no Espinheiro, o Governo do Estado precisa enviar a solicitação para o Conselho Estadual de Cultura, que analisa a importância cultural e arquitetônica do imóvel.

Com a saída da TGI, que mantinha um espaço da casa com fotografias e relíquias em homenagem ao compositor, o imóvel foi colocado inicialmente para aluguel e depois à venda. Geraldo Freire gravou um vídeo em frente ao imóvel em que alertava para uma possível derrubada ou descaracterização da casa, construída em 1948 por um artista tão importante e que faz parte da história do Estado.

“Essa casa foi de Capiba, aqui ele viveu a vida inteira, morreu com 90 anos. Capiba de ‘Oh Bela’, Capiba de ‘Maria Bethania’, Capiba de ‘Cais do Porto’, de ‘Recife Cidade Lendária’… A casa só está em pé ainda porque ela está nesse imprensadinho, senão já teriam derrubado e ela seria um prédio. Está para vender, quem comprar derruba, faz o que quiser e a memória de Capiba vai embora. O Legislativo não se preocupa, o Executivo não se preocupa aqui no Estado, então que a gente se preocupe com isso”, avisava o radialista.

Antiga casa de Capiba está para alugar no Espinheiro. Vizinhos contam histórias

 

Tombamento

Na semana passada, o corretor e porta-voz de Dona Zezita, Antônio Carlos Vilela, afirmou ao PorAqui que ela não entrou com pedido de tombamento. “Ela tem interesse em preservar a memória e o acervo de Capiba em Surubim. Como já está com a idade mais avançada, preferiu fazer a venda do imóvel, mas me informou agora há pouco que também pode manter o aluguel por mais um tempo”, ressalta o corretor.

Para o conselheiro estadual de Preservação do Patrimônio, Leonardo Dantas, “a casa de Capiba é apenas a lembrança de sua residência. O mais importante é o acervo cultural dele. Ele deixou uma obra de mais de 200 frevos, fora as composições de música de câmara, erudita, canções, valsa, ciranda, todos os gêneros conhecidos Capiba compôs. O acervo está em posse da viúva e ela pretende fazer um museu em Surubim”, diz o conselheiro.

Reprodução: Vídeo/NE10

Ainda segundo Dantas, a Prefeitura de Surubim doou um terreno à dona Zezita para a construção do museu. “Mesmo assim não resolve nada. O custo de manutenção do acervo é muito caro, prevê funcionários, espaço, local especializado, controle de temperatura e umidade do ar, que a prefeitura de Surubim não quis assumir e nem vai dispor dessa estrutura. Seria necessário que esse acervo fosse encaminhado para uma instituição de iniciativa privada que pudesse mantê-lo”, completa.

O advogado Antônio Campos deu entrada no pedido de tombamento do imóvel na última segunda-feira. A Prefeitura do Recife, por meio de nota, informou que tomou conhecimento recentemente do interesse da família do compositor Capiba em se desfazer da casa onde viveu o artista. O Governo Municipal destaca que considera igualmente importante o legado de todos os nomes da cultura recifense.

Foto: Eduardo Amorim/PorAqui

Atualizado em 4 de outubro.



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