Antiga casa de Capiba está para alugar no Espinheiro. Vizinhos contam histórias

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Foto: Eduardo Amorim/PorAqui

Um dos nomes que mais representam a música pernambucana, o compositor Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa) merece todas as homenagens possíveis pelo que fez pelo frevo.

A casa onde ele morou durante 37 anos no Espinheiro, que era alugada pela Consultoria TGI e mantinha uma série de fotografias e relíquias como homenagem, atualmente está para alugar.

O número 369 da Rua Barão de Itamaracá ainda guarda uma série de memórias. Na varanda do antigo Espaço Capiba, é possível ver as ampliações de fotos.  Alguns leitores do PorAqui, depois de post sobre a homenagem que a Passa Disco fará ao músico, espontaneamente decidiram contar passagens do tempo em que o compositor vivia ali com sua esposa Zezita Barbosa.

Foto: Eduardo Amorim/PorAqui

Quem teve a oportunidade de cruzar o caminho de Capiba é quem conta essas histórias:

Mariana Mesquita – Jornalista

Eu estava no segundo ou terceiro período da faculdade. O ano não lembro direito, talvez 1992. Fazia um frila para uma revista local pavorosa que durou umas três edições e, claro, acabou me dando um calote. A pauta era Carnaval e me mandaram entrevistar Capiba. Consegui o telefone e liguei. Capiba atendeu bem irritado, falando mal de jornalistas e me largando um esporro.

“Foi você quem me ligou no começo da semana ?”, quis saber. Diante da minha negativa, decretou: “Então esteja amanhã aqui em casa às 15h. E se não estiver aqui às 15h, não venha nunca mais”, berrou e desligou o telefone na minha cara.

Fui pra entrevista morta de medo, acompanhada do fotógrafo que, diante do meu relato, também estava meio preocupado. Confesso que pensei em desistir e mandar outro repórter em meu lugar. Quando cheguei lá, dei de cara com um senhorzinho de seus 90 anos, pacientemente sentado na sala e vestido com camisa engomada, de colarinho duro.

Descobri que uma emissora local, cujo nome prefiro não declinar, havia marcado entrevistas com ele por três vezes consecutivas sem que os produtores tivessem a dignidade de ligar desmarcando. Capiba ficava pronto, vestido, sentado por horas a fio, aguardando a equipe de televisão que nunca chegava. Por isso o ódio justificado a meus colegas de profissão.

Capiba foi educado, gentil, doce, engraçado. Passou a tarde tocando musiquinhas variadas pra mim, no piano. Descobriu ser aparentado com meu avô Zezé não sei mais por parte de que antepassado. Sua esposa Zezita, gentilíssima, me serviu bolo com suco de maracujá e o casal me convidou para visitá-los mais vezes. O fotógrafo saiu rindo, dizendo que eu “dei a volta no velho”.

Por fim, a matéria não saiu. O dinheiro do trabalho também não saiu.

Mas meu único arrependimento foi não ter voltado a tempo de desfrutar outros momentos com eles. Esse dia foi um tesouro que guardo na memória e me serviu também de aprendizado: às vezes, nossas fontes “difíceis” têm motivo pra agir assim e não podemos desistir, sob pena de perder experiências preciosas.

Fábio Passadisco – proprietário da loja de CDs e vinis

Sou morador da Rua da Hora desde 1989 e por várias vezes passei na frente da sua casa com meu filho Jáder (ainda criança), que adorava ver as lagartixas… E como ele colocava açúcar para os passarinhos, as formigas iam atrás do doce… E as lagartixas atrás das formigas… E eu e Jáder, atrás das lagartixas.

Carmen Lins – criadora do perfil Capiba no Facebook

Eu morava na Rua 48, paralela à rua em que ele morava. Adorava passar pela casa dele para vê-lo tocando piano. Lembro dos bebedouros para os passarinhos, pendurados na entrada da casa e também dos gatos, eram muitos. Foi a minha mãe quem me disse que, naquela casa, morava Capiba.

 



comment 8 comentários

  1. Saudade deles... Queria tanto que essa casa pudesse ser um espaço de memória para esse grande pernambucano ? A arte e a vida dele não merecem tanto esquecimento.
  2. Conheci e convivi de perto com Capiba, uma das pessoas mais doce, mais músical, mais generosa que conheci. Ele não foi apenas compositor e divulgador do nosso ritmo de raíz. Poucos sabem que Capiba, funcionário concursado do Banco do Brasil, foi quem fundou a Casa dos Estudantes de Pernambuco, para abrigar os que vinham do interior, sem recursos. Criiou também a Jazz Band Académica, para divulgar nossa música. Capiba foi compositor eclético. Fez de tudo, do clássico ao popular. Umas das primeiras composições, era um tango. Com ela ganhou concurso nacional. E eu, com a biografia dele, também ganhei concurso nacional. Da Funarte.
  3. Morei na Rua Rui Calaça-Espinheiro e vi muitas vezes Capiba passear com seu cachorro um pequinês. Ele muito simpático. Não esqueço.
  4. Tive o privilégio de conhecer Capiba e sua esposa Zezita . Muitas vezes que íamos na sua casa conversar e escutá--lo tocar no seu piano ou quando saímos juntos para almoçar no Galo d' Ouro no centro da cidade junto com meus pais. Momentos inesquecíveis!
  5. pergunto aos senhores se existem alguma casa tombada que lembre também dos maestros Nelson Ferreira, Levino Ferreira , Nunes e tanto outro que fizeram pela cultura do desse estado , e hoje estão esquecidos pelas secretarias do município e do estado .Vivem totalmente no ostracismo.
  6. Com certeza é mais um que vai para o esquecimento. Lembro também do nosso e inesquecível Aldemar Paiva, Expedito Baracho, de cortar o coração vendo a historia desses homens que tanto fizeram por esta cidade e por este estado. É de corta o coração ver toda a historia desses homems e maestros correndo para o esgoto graças aos nossos desinteressados secretários de "culturas do município e do estados "que não estão nem ai e como sempre fazendo vista grossa.
  7. "Motivação" Tente uma, duas, três vezes e se possível tente a quarta, a quinta e quantas vezes for necessário. Só não desista nas primeiras tentativas, a persistência é amiga da conquista. Se você quer chegar aonde a maioria não chega, faça o que a maioria não faz.

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