A Maior Cidade Pequena do Mundo em Linha Reta: histórias fantásticas e reais do Recife

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Fotos: Divulgação/Badoque Livros

A Maior Cidade Pequena do Mundo em Linha Reta será lançado no próximo sábado (7), no Armazém Centenário, no Espinheiro. Na publicação, estão reunidas histórias às vezes fantásticas, às vezes reais demais. A publicação é a primeira empreitada do selo literário independente Badoque Livros.

O trabalho é uma obra coletiva feita por 11 autores recifenses ou que moram na cidade, com prefácio de Álvaro Filho e editado por Gil Luiz Mendes. Participam da obra: Bernardo Wictor, Gil Luiz Mendes, Nathália Dielú, Jr. Black, Franco Benites, Geraldo de Fraga, Frederico Toscano, Mauro Rossiter, Felipe Mendes, Tiago da Rocha e Gustavo Carvalho.

Leia abaixo trecho de um dos textos do livro que se passa no bairro das Graças.

Trecho do conto:
Meu problema com a mitologia grega, de Geraldo de Fraga

Ontem sonhei que dona Dora, a vizinha do 202, era uma harpia, um bicho metade gente, metade pássaro. É um ser da mitologia grega e tal. Enfim, dona Dora era metade dona Dora, metade pássaro. Parecia um peru, uma ave grande. Podia ser uma avestruz. No sonho ela voava atrás de mim enquanto eu atravessava uma das pontes do Recife – uma aí que não me lembro do nome – e ficava me bicando.

Antes de sair de casa, espiei pelo olho mágico. Pode parecer esquisito, mas eu não queria encontrar com ela. O corredor estava vazio, então saí e desci correndo pela escada. No portão do prédio, encontrei o zelador. “Mataram mais um”, ele disse e apontou para o outro lado da rua. Na calçada do terreno abandonado que fica em frente ao meu prédio, havia um cachorro morto. Algum maluco andava matando cães no bairro das Graças. Saiu até no jornal, postaram textão no Facebook, o caralho a quatro.

Meu carro ficava na rua, pois eu não tinha vaga na garagem do prédio. O caminho para o trabalho era bem curto, mesmo assim eu ia de carro. Não gostava de andar e não tinha paciência para bicicleta. Todas as bicicletas que eu tive deram problema. Achei uma vaga para estacionar, comprei um pacote de chicletes na banca de revista da esquina e entrei na agência já na hora da reunião.

Estávamos fazendo uma campanha para um festival de música. Cliente antigo, fazíamos todos os anos, sempre as mesmas bandas merdas, quase nunca mudávamos as coisas de um ano para o outro. Meu chefe é um saco. Ele se acha o ás da publicidade, mas não entende de porra nenhuma.

Uma vez sonhei que ele era o Minotauro. Sei lá, acho que é porque ele tem fama de corno. Só tenho sonhado com mitologia grega nos últimos tempos. Só lembro de ter tido sonhos assim. Sonho comendo mulher que é bom, nada. Aliás, comer mulher que é bom, nada. Lembrei de uma amiga da menina do atendimento aqui da agência que conheci no bar. Tenho que procurá-la no Facebook

Lançamento do livro A Maior Cidade Pequena do Mundo em Linha Reta
Nesta sexta (6), a partir das 19h
Armazém Centenário. Rua Barão de Itamaracá, 10, Espinheiro

Feira de Vinil terá primeira edição no Espinheiro neste sábado (7)



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